quinta-feira, 2 de junho de 2011

POR QUE A SIMPLICIDADE NÃO SATISFAZ ???

Depois de alguns anos militando na umbanda, comecei a desenvolver um senso critico no diz respeito a minha religião.
Passei a observar as mudanças, as evoluções, os retrocessos, o comportamento, enfim tudo que se refere ao dia a dia da Umbanda.

Uma coisa tem me incomodado muito; a falta de simplicidade que tenho observado nos terreiros. Quando iniciei na Umbanda, pés no chão, uma roupa branca, algumas velas brancas no altar e o terreiro estava pronto para funcionar, as entidades sempre presentes, os consulentes atendidos, os médiuns felizes por estarem ali, enfim uma atmosfera propícia para pratica do bem.

Não existiam cursos como, por exemplo, formação de “sacerdotes” em dois anos, nosso aprendizado era dentro do terreiro, ouvindo o dirigente, as entidades, os mais experientes.

Muitos vão dizer que a evolução é importante e faz parte da vida, concordo, mas penso que deva ser uma evolução inteligente, coerente.
Infelizmente tenho visto muitos que inventam rituais, fundamentos praticas, muitas beirando o absurdo, outros vão buscar em outras religiões, praticas que nada tem haver com a Umbanda, em nome de uma pretensa evolução.

Vejo a subserviência, a idolatria à pessoa do “pai de santo” muito grande, vejo que em muitos casos a espiritualidade fica em segundo plano, hoje Orixá virou sobrenome e até propriedade pessoal, terreiros viraram desfile de moda ou concurso de fantasias.

Aprendi que quando se vai a outro terreiro devemos saber entrar e sair, minha Mão de Santo, nos ensinou que quando visitamos outra casa, salvo se somos convidados pelo chefe do terreiro, somos assistência, e nosso lugar é “na fila do passe” como ela dizia.

O que ocorre hoje é bem diferente, “pais de santo” que se acham no direito de exigir que se dobrem atabaques para ele, que se prestem reverencias, e muitas vezes ainda saem reparando, criticando ou caçoando do trabalho, e por que tudo isto? Justamente pelo fato de que a espiritualidade para eles é apenas um detalhe.

Não sei onde isto vai acabar, espero que acabe antes que a Umbanda acabe...
Amigos longe de mim querer generalizar ou ser o dono da verdade, como disse no inicio, sou apenas um observador do comportamento umbandista.

Ainda bem que temos terreiros que ainda mantêm a essência da Umbanda, onde a palavra de um Preto Velho ou de um Caboclo é ouvida e seguida. Onde o dirigente senta com seus filhos, ouve, explica, não tem vergonha de dizer “não sei, mas vou tentar aprender”.

Este texto nada mais é que um desabafo de um saudosista, que pisou muito em terreiro de chão batido, que limpou muito cinzeiro, que já caiu varias vezes de “bunda” no chão durante o desenvolvimento, que já levou muito “pito” de entidades, que teimou muitas vezes, mas que aprendeu a amar com todas as forças a Umbanda, e que depois de todo este tempo vivenciando a Umbanda tem uma pergunta aos Umbandistas:

POR QUE A SIMPLICIDADE NÃO SATISFAZ ???

Marco Boeing

6 comentários:

Josi disse...

não é simplicidade que não satifaz..é a vaidade do ser humano que estraga!! estraga a umbanda! Como você disse umbanda é simplicidade..é humildade...Rezemos pelos mediuns vaidosos, mal sabem eles que isso so atrapalha a sua evolução.

Solange disse...

Hoje em dia,não se fazem médiuns como antigamente.Tenho dezessete anos de Umbanda,sigo o que aprendi nesse período com muito respeito as leis de nossa religião;fé,dedicação,respeito,amor e humildade;esses eram os princípios de um umbandista.As entidades de direita,que nos ensinavam como proceder...todos os fundamentos de uma casa e tudo mais.
Infelizmente,hoje estão misturando "alguma coisa" com "coisa nenhuma" e chamam de Umbanda.Estão acabando com a nossa religião...

Andréa Destefani disse...

Sabe, não sei se são os cargos que sobem à cabeça ou a sensação de falso poder. Na minha última gira estava lá um capitão de outro terreiro botando defeitos em nosso.E o mais triste é que esta pessoa tem anos de Umbanda e é membro da FUEP. Realmente fiquei muito triste.Creio que um orgão que nos representa teria que respeitar a casa onde pisa.

Quase um Kiwi disse...

Saravá meu irmão pelas suas palavras.
Concordo.

Lara Orlow disse...

Boa tarde. Gostaria de saber se posso encaminhar uma resenha de livro (lançamento literário) para ser postado em seu blog. Se sim, para qual email eu poderia mandar? Desde já obrigada.
lara_kalin@hotmail.com

Betto disse...

Interessante artigo!!! Concordo plenamente com as palavras do irmão e peço licença para o breve comentário. Muitos de nossos ditos "irmãos de fé" priorizam o culto externo aos aparatos esquecendo-se que a verdadeira força, firmeza e segurança está contido no "espirito" na simplicidade de uma prece dita com "fé" e na responsabilidade e seriedade para com Deus, com os seus Guias e Orixas, para com a Umbanda e para com o as pessoas. Nós, médiuns de Umbanda somos os que mais precisamos da força e luz de nosso Eterno Zambi e devemos aprender que somente o AMOR, a CARIDADE, o PERDÃO e a HUMILDADE é que nos tornará MELHORES. De nada vale lindas vestimentas, colares de cristal, penachos e tudo mais se somos pobres de AMOR E FÉ.
Um axé a todos os nossos irmãos e irmãs. Betto.