segunda-feira, 17 de agosto de 2009

A RELIGIÃO DOS ESCRAVOS

Os escravos africanos eram proibidos de praticar suas várias religiões nativas. A igreja Católica Romana deu ordem para que os escravos fossem batizados, e eles deveriam participar da missa e dos sacramentos. Apesar das instituições escravagistas e da igreja, entretanto, foi possível aos escravos, comunicar, transmitir e desenvolver sua cultura e tradições religiosas. Houve vários fatos que nos ajudaram a manter esta continuidade: os vários grupos étnicos continuaram com sua língua materna; havia um certo número de líderes religiosos entre os escravos; e os laços com a África eram mantidos pela chegada constante de novos escravos.

Desde o começo pais e mães de santos buscavam reafricanizar a religião. Isto foi possível em parte, por que a rota dos navios entre a África e o Brasil conservou viva a conexão entre os povos. Isto continuou mesmo depois da abolição da escravatura em 1888. Escravos libertos que puderam viajar para as áreas iorubás foram iniciadas no culto dos orixás e então, ao retornar ao Brasil puderam fundar terreiros e revitalizar a prática religiosa.

A partir da segunda metade do séc. 19, surgiram grupos organizados, que recriavam no Brasil cultos religiosos que reproduziam não somente a religião africana, mas também outros aspectos da sua cultura na África. Nascia a religião afro-brasileira, primeiro na Bahia, conhecida como Candomblé, e depois pelo país afora, recebendo nomes locais como Xangô em Pernambuco, tambor-de-mina no Maranhão e batuque no Rio Grande do Sul. Os principais criadores dessas religiões foram negros de nações Yorubás ou nagôs, especialmente os provenientes de Oyó, Lagos, Queto, Ijexá, Abeocutá e Iquiti, os das nações Fons ou Jêjes, sobretudo os mahis e os daomeanos, e os Bantos de Angola e Congo. Os ritos se desenvolveram na Bahia, em Pernambuco, Alagoas, maranhão, Rio Grande do Sul e, posteriormente no Rio de Janeiro e mais tarde em São Paulo.

As religiões afro-brasileiras ainda carregam os efeitos de sua interação com outras tradições religiosas, especialmente o catolicismo. Os Orixás, Voduns e Inquices, foram justapostos com santos católicos e o interior dos terreiros possuía numerosos elementos católicos, incluindo estátuas de santos, enquanto os objetos religiosos africanos eram escondidos. As religiões afro-brasileiras eram proibidas , e os terreiros eram freqüentemente visitados pela policia. Por isso seus participantes deviam sempre buscar caminhos para fortalecer a aparência católica dos orixás e dos terreiros. O sincretismo se tornou assim estratégia de sobrevivência por um longo período.

A Mulher Escrava


A escravidão desenraizava o negro de seu meio social e desfazia seus laços familiares. O tráfico negreiro, enquanto pôde operar livremente, garantiu a reposição dos braços escravos indispensáveis ao funcionamento da sociedade colonial. Enquanto durou o tráfico, foram os senhores indiferentes à duração da vida de seus escravos. A situação da escrava empregada no trabalho produtivo, esteve necessariamente determinada pela sua condição de "coisa", propriedade do senhor. Mas esta condição, compartilhada com o homem escravo, soma-se a particularidade advinda do fato de ser mulher, isto é, ocupar um papel privilegiado de reprodução biológica. A realização combinada dos potenciais produtivos e reprodutivos da escrava privilegiou o lucro imediato e conduziu objetivamente ao consumo de escravos no processo de produção.

Compreende-se que sas "negras pejadas" e as que amamentavam não eram poupadas do trabalho: duras fadigas impediam em algumas o regular desenvolvimento do feto, em outras minguava a secreção do leite, em quase todas geravam o desmazelo pelo tratamento dos filhos, e daí as doenças e a morte das pobres crianças.

A negra quando grávida , não recebia condições mínimas necessárias ao desenvolvimento do feto; e quando a gravidez vingava, estas condições levavam, muito freqüentemente, a matarem os próprios filhos. A mulher escravizada, sobrepondo-se aos naturais impulsos maternos, interrompia sua gestação ou eliminava o recém nascido. Assim o fazendo, quebrava o implacável elo que prendia sua descendência à escravidão. O aborto voluntário e o infaticídeo eram tidos pelos escravistas como formas conscientes de oposição ao cativeiro

A mulher escrava fazia ponte entre a senzala e o interior da casa grande e representava o ventre gerador. As negras mais bonitas eram escolhidas pelo senhô para serem concubinas e domésticas. Objeto dos desejos sexuais sádicos dos homens, do senhor de engenho ao menino adolescente, a negra sofria por parte da mulher branca os castigos mais variados. Se a beleza dos seus dentes incomodava a desdentada sinhá, esta mandava arrancá-los. A escrava adoçava a boca do senhor e recebia chicotadas à mando da senhora, mas cumpria as tarefas que normalmente estariam destinadas à mãe de família.

A negação dos escravos enquanto seres humanos implicou necessariamente na negação de sua subjetividade, que foi violada, negada, ignorada, principalmente nas relações entre eles: mãe escrava - filhos, pai escravo - filhos e homem-mulher escravos. Era o senhor quem decidia sobre a possibilidade e qualidade da relação entre o homem e a mulher escrava, sobre se haveria ou não vida familiar, se casados ou concubinos seriam ou não separados, se conviveriam com os filhos e onde, como e em que condições morariam; não era certo a convivência em família. A legislação a respeito do casamento escravo era apenas mais um aspecto no qual prevaleceria o poder de fato do senhor sobre seus escravos. Ao ser mãe a mulher negra estava ameaçada com a separação eterna de seus filhos, pois o seu destino era incerto; se fosse vendida perderia a ligação com os filhos para sempre. Mesmo comprometida com um negro, a escrava, ainda assim, estava sujeita aos desejos sexuais de seu senhor, ; e um escravo não poderia queixar-se da infidelidade de sua mulher e vingar-se de seu sedutor.

A Mãe Preta

Enquanto a amamentação da criança escrava serve a preservação da "mercadoria escrava-leiteira", dela pode se beneficiar o filho da ama. A existência de mães pretas revela mais uma faceta da exploração da senzala pela casa-grande, cujas conseqüências inevitáveis foram a negação da maternidade da escrava e a mortandade de seus filhos. Para que a escrava se transformasse em mãe preta de criança branca, foi lhe bloqueada a possibilidade de ser mãe de seu filho preto. A proliferação dos nhonhôs implicava o abandono e a morte dos negrinhos. Além disto os pais - senhores - são por hábito bárbaros e castigam fortemente os seus escravos à vista de seus filhos, que facilmente também se habituam à crueldade: é assim que se viam meninos e meninas esbofetearem a cara da escrava-ama que lhes dava o leite, é assim, que milhares deles castigam com cruéis açoites aqueles mesmos escravos que lhe os carregaram, que os alimentaram, que os embalaram na infância. Numa sociedade cuja ideologia dominante atribui à maternidade o papel de função básica da mulher, a escrava transformada em ama de leite conhece, na negação de sua maternidade, a negação de sua condição de mulher. Mesmo em contato estreito e continuo com a família branca, a ama escrava não recebia benefícios sequer dos cuidados mínimos que lhe pudesse garantir uma boa saúde. Nem mesmo quando era constantemente acusada de ser portadora de doenças graves, principalmente a sífilis. No entanto, seria igualmente possível que muita mãe preta tenha sido contaminada pelo menino de peito, alastrando-se também por esse meio, da casa grande à senzala, a mancha da sífilis. A sifilização da ama de leite, entretanto, não teve origem unicamente na criança branca. À apropriação e a utilização da escrava como ama de leite da criança branca raramente deixaria de se acrescentar, assim para mucamas, cozinheiras, amas-secas etc., também a apropriação de seu corpo como objeto sexual do homem branco.

Objeto Sexual:

A sexualidade possível à senhora é aquela que lhe impõem as relações familiares patriarcais, norteadas pelos rígidos preceitos religiosos e morais. A escrava escapa a essas determinações que cerceiam as mulheres de classe dominante; sua sexualidade não está a serviço da procriação e da reprodução ideológica da família branca. Estar fora do círculo familiar e do jugo patriarcal sobre ele exercido representa, para a escrava, estar além dos limites e normas que regulam a sexualidade da mulher branca. A sexualidade da escrava aparece para o senhor livre de entraves ou amarras de qualquer ordem, alheia à procriação, às normas morais e a religião, desnudada de toda série de funções que são reservadas às mulheres brancas, para ser apropriada num só aspecto: o objeto sexual. As escravas aparecem aí sem honra e sem religião, ou seja totalmente à margem dos padrões morais e religiosos dominantes na sociedade. A utilização sexual da escrava pelos senhores, determinaria, em grande parte, o tipo de relação que cada membro da família patriarcal estabelece com ela. Assim, às escravas também passam ser as iniciadoras sexuais dos filhos do senhor. As relações sexuais entre o filho do senhor e a escrava parecem ter sido discretamente consentidas pela senhora. Mas, que tipo de relação sexual poderia emergir entre seres igualizados sob o chicote? A escrava era obrigada a ceder os desejos libidinosos se seu senhor para não se expor, com a recusa, a toda sorte de torturas; não poderia guardar a honra de sua filha, nem mesmo a sua contra tentativas do seu poderoso senhor e nem o escravo poderia queixar-se da infidelidade de sua mulher, e vingar-se de seu sedutor.

A Criança Negra e a Escravidão

Bem pouca atenção é dada ao estudo da criança escrava. Isto talvez se deva, em parte, ao fato de a população escrava, no Brasil, ter sido composta majoritariamente por homens e mulheres em idade produtiva. A baixa taxa de crescimento da população cativa, devido a menor proporção de mulheres do que de homens escravos, e as dificuldades de sobrevivência da criança escrava tem certamente contribuído ainda mais para ocultar este segmento.

Varias razões têm sido apontadas para a venda de crianças na África como escravas: eram consideradas como bocas inúteis em certas regiões e determinados períodos ; outras foram trocadas por prisioneiros; em épocas de carência, famílias se vendiam espontaneamente para não morrerem de fome, entre outros motivos. A falta de interesse por este tráfico devia-se ao fato de os escravinhos não serem imediatamente produtivos, aliado a isto, as altas taxas de mortalidade infantil e infanto-juvenil acarretavam riscos de grande prejuízos. Apesar desses fatores, o percentual de crianças embarcadas nos portos africanos chagou a representar, em certas épocas, cerca de 20% do total dos escravos traficados

No Brasil, as crianças nascidas eram logo batizadas e ainda assim consideradas gente sem alma. A Igreja, esteio dos poderosos, agia da mesma forma no tratamento dado aos negros. O moleque, pequeno escravo, companheiro do sinhozinho em brincadeiras e aventuras, servia também de saco de pancadas. A vida de trabalho da criança escrava começava cedo. Depois de cinco ou seis anos de idade, essas crianças eram entregues a tirania dos outros cativos que os domavam a chicotadas, habituando-se à força aos rigores da vida escrava. Muitas vezes, desde pequenas as crias eram obrigadas a acompanhar suas mães ao campo e com elas compartilhavam várias atividades agrícolas: tiravam ervas daninhas, semeavam, apanhavam frutos, cuidavam de animais domésticos.

Aos sete ou oito anos iniciava-se uma nova etapa na vida das crianças escravas: passavam a fazer os serviços mais pesados e regulares. Deixavam para trás as ultimas regalias infantis, aquelas que viviam na casa grande e começavam a desempenhar funções especificas para sua idade ou já eram treinadas para a função que desempenhariam posteriormente. As crianças que ficavam na casa grande eram empregadas no serviço do senhor e de seus familiares, trabalhando como pajem, moleque de recado ou criada. Buscavam jornal, encilhavam os cavalos, lavavam os pés das pessoas da casa e mesmo de visitantes, escovavam as roupas, engraxavam os sapatos, serviam a mesa, espantavam os mosquitos, balançavam a rede, buscavam água no poço e carregavam pacotes e outros objetos. Nas fazendas, nos engenhos e nas chácaras, aos oito anos as crianças eram enviadas às plantações, colhiam e beneficiavam café, descaroçavam algodão, descascava,m mandioca, fabricavam cestos e cordas.

Assim como as meninas eram enviadas às "escolas de mucamas", os meninos eram mandados para aprender algum oficio mecânico, como de sapateiro, barbeiro, marceneiro ou alfaiate. Meninas escravas carregavam os bebes brancos no colo, sendo obrigadas a cuidar das demais crianças. Mais barata, a criança escrava tornava-se uma mercadoria acessível às camadas intermediárias, dedicadas ao pequeno comércio e ao artesanato doméstico. Assim como havia mercado de trabalhos para as crianças africanas escravizadas, também havia para as crianças escravas nascidas no Brasil. Para muitos senhores era mais rendoso criar negros do que plantar café. Os rapazes de certa idade eram mandados para a cidade e entregues ao oficio pelos quais ganhavam dez vezes mais do que se fossem utilizados trabalhando na terra. Algumas crianças que trabalhavam descascando e lavando mandiocas, tinham os dedos duros, mutilados, tortos e calejados: "como as mãos dos escravos, pareciam haver perdido as características humanas.

A condição de criança escrava não livrava os escravinhos dos maus tratos: eram castigados, separados de seus familiares, trabalhavam duro, ficando muitas vezes com marcas físicas dos castigos e do excesso de trabalho. Alguns proprietários compravam crianças escravas como brinquedos para seus filhos; essas crias, transformadas em "tetéias por causa da pouca idade, ignoravam a distancia respeitosa que havia entre eles e seus senhores moços" e acabavam por se rebelar e fazer ameaças contra as dentadas, beliscões e outras tiranias em relação à idade mais ou menos avançada dos senhorzinhos; os pais , em vez de repreenderem seus filhos, castigavam rigorosamente a criança negra, cujo único crime o mais das vezes era fugir e não deixar o senhorzinho morder-lhe à vontade.

A Lei do Ventre Livre, na verdade não teve grande eficácia para melhorar as condições de vida da criança negra no Brasil. Ao lado da denuncia de perpetuação de fato de sua condição de escrava, destacou-se o prognóstico do aumento do número de abandono dos filhos de suas cativas, por parte dos senhores. No Rio de Janeiro, paralelamente à escravização de fato dos filhos de escravos após 1871, teve um significativo aumento do abandono de crianças negras, como conseqüência não desprezível da Lei do Ventre Livre.

Nas sociedades do antigo regime europeu era bastante difundido o costume de entregar recém-nascidos a amas de leite, que cuidavam da criança durante a primeira infância. Transplantada para o Brasil, esta prática tornou generalizados o aluguel e a compra de escravas para amamentarem os bebês das famílias brancas. Esse costume tinha como contrapartida a desintegração da frágil família escrava, separando as cativas de seus filhos. Desde a terceira década do século XIX, os médicos e sanitaristas da Academia de Medicina iniciaram uma vigorosa campanha contra o uso das amas-de-leite escravas, atribuindo dificuldades de aprendizagem, difusão de doenças como a sífilis e até mesmo apego a superstições, ao contato prolongado e íntimo das crianças brancas com as amas-de-leite negras, sobretudo as de origem africana.

Em suas teses esses médicos evidenciavam o papel utilitário da Roda dos Expostos para os senhores que comercializavam escravas amas-de-leite, dando assim, um extraordinário aumento de crianças enjeitadas, principalmente na cidade do Rio de Janeiro.

Não era de se estranhar que os senhores preferissem auferir os lucros proporcionados pelo aluguel das amas-de-leite do que arcar com o ônus da criação de seus filhos, correndo o risco de só poderem aproveitar-se mais tarde do trabalho de metade das crianças que havia sustentado, por causa das altas taxas de mortalidade da época.

autor:não foi postado a fonte

O RESPEITO

O respeito é um conceito relativo que, na maioria das pessoas, está diretamente relacionado aos valores pessoais de cada um. Tais valores são aprendidos na família, na escola, na sociedade ou nos programas de televisão como acontece com muitas crianças hoje em dia.

O conceito de respeito adotado por cada um influencia diretamente os relacionamentos que esta pessoa tem consigo própria e com o mundo à sua volta. Aqueles que estão apegados rigidamente aos seus valores pessoais provavelmente entrarão em conflito com outras pessoas que tenham valores diferentes e que também estejam rígidos em sua postura, criando assim um grande conflito interno em ambas as partes.

Na relação pai e filho, os conflitos em relação ao tema respeito vêm à tona frequentemente. Alguns pais foram educados a acreditar que a obediência é sinônimo de respeito. Esse tipo de atitude é constantemente observado também na relação mestre e discípulo, onde este se deixa guiar mentalmente, emocionalmente e até fisicamente pelo “mestre” em questão. Os conflitos se iniciam quando o(a) filho(a) começam a entrar em contato e incorporar outros valores pessoais vindos da escola, da sociedade e do convívio com outras pessoas.

Há uma outra forma de respeito que transcende os valores pessoais de cada um. Ele ocorre quando cada pessoa aceita o outro do jeito que é. Esse tipo de respeito não é uma obediência, e sim uma aceitação da manifestação do outro e de sua existência. É um respeito que nivela todos nós como iguais e faz com que cada um se conecte com sua própria força.

É um respeito que coloca cada um no seu devido lugar e delimita as responsabilidades de cada um para com sua própria vida. A pessoa que atingiu esta forma de respeito não quer mais mudar o outro, e sim confia naquilo que atua no outro.

Autor: Saulo Nagamori

TRANSFORMANDO A MENTE

"Os Oito Versos que Transformam a Mente"

Os oito versos são:

1. Com a determinação de alcançar
O bem supremo em benefício de todos os seres sencientes,
Mais preciosos do que uma jóia mágica que realiza desejos,
Vou aprender a prezá-los e estimá-los no mais alto grau.

2. Sempre que estiver na companhia de outras pessoas, vou aprender
A pensar em minha pessoa como a mais insignificante dentre elas,
E, com todo respeito, considerá-las supremas,
Do fundo do meu coração.

3. Em todos os meus atos, vou aprender a examinar a minha mente
E, sempre que surgir uma emoção negativa,
Pondo em risco a mim mesmo e aos outros,
Vou, com firmeza, enfrentá-la e evitá-la.

4. Vou prezar os seres que têm natureza perversa
E aqueles sobre os quais pesam fortes negatividades e sofrimentos,
Como se eu tivesse encontrado um tesouro precioso,
Muito difícil de achar.

5. Quando os outros, por inveja, maltratarem a minha pessoa,
Ou a insultarem e caluniarem,
Vou aprender a aceitar a derrota,
E a eles oferecer a vitória.

6. Quando alguém a quem ajudei com grande esperança
Magoar ou ferir a minha pessoa, mesmo sem motivo,
Vou aprender a ver essa outra pessoa
Como um excelente guia espiritual.

7. Em suma, vou aprender a oferecer a todos, sem exceção,
Toda a ajuda e felicidade, por meios diretos e indiretos,
E a tomar sobre mim, em sigilo,
Todos os males e sofrimentos daqueles que foram minhas mães.

8. Vou aprender a manter estas práticas
Isentas das máculas das oito preocupações mundanas,
E, ao compreender todos os fenômenos como ilusórios,
Serei libertado da escravidão do apego.

sábado, 15 de agosto de 2009

AS GUIAS

As GUIAS usadas na Umbanda são aqueles colares coloridos que os médiuns utilizam nos trabalhos, fazendo parte do uniforme do Umbandista.

Estes “colares” são verdadeiros pára-raios em defesa dos os médiuns.
É um objeto no qual os Guias e Protetores imantam com determinadas forças para servirem de instrumentos em ocasiões precisas.

A Guia é então, uma das muitas ferramentas utilizadas pelo médium que serve como defesa deste que, muitas vezes, se vê obrigado a entrar em contato com energias às quais ele não poderia suportar, daí a explicação para as guias que arrebentam de repente. Por ser de material altamente atrativo, a guia recebe toda a carga negativa que foi direcionada ao médium e arrebenta.

A guia não serve somente como proteção do médium. Esta tem muitas outras utilidades como, por exemplo;
-serve como instrumento de ligação psíquica entre Médium e Espírito,
-serve como instrumento de tratamento,
-serve como material de trabalho das Entidades, atraindo ou emitindo energias e etc.

CONFECÇÃO DAS GUIAS

As guias devem ser confeccionadas com produtos naturais, pois são imantáveis e condutores de energias.
Esses materiais podem ser: sementes, madeira como o bambu, pedras, conchas e outros objetos marinhos, pedras preciosas e semipreciosas (mesmo que lapidadas), cristais, porcelana, miçangas, dentes de animais, guizos e outros, como por exemplo, os metais.

Jamais se usa plástico ou outro produto artificial.

Usando-se os materiais citados acima, as guias serão confeccionadas de acordo com o pedido feito pelas entidades, de acordo com a doutrina da casa que você freqüenta ou de acordo com a necessidade daquela guia.

Não se pode montar uma guia só porque acha bonito, ou porque todos usam, ou porque você acha que deva usar.

Espere, tudo na sua hora!

Nas lojas especializadas encontram-se guias prontas dos mais variados modelos, mas existem casos em que a entidade pede para que você monte a guia pedida.

Porquê?

A guia é uma peça “benta” com força e irradiação para nos proteger e aumentar nossa força, nossa vibração e etc. São ritualisticamente preparadas, ou seja, imantadas, de acordo com a tônica vibracional de quem as irá utilizar (médium e entidade), e conforme o objetivo a que se destinam.

Geralmente, quando uma entidade pede para seu filho montar a sua Guia, a mesma estará presente naquele momento, ou para dar orientações na montagem por intuição, ou para ver se o filho realmente tem o devido respeito pela religião (objetos, entidades, rituais e etc.) ou por vários outros motivos como, por exemplo, testes de fé, de paciência, pois tem vezes que a guia se quebra várias vezes antes de ficar pronta, ou às vezes a entidade está desenvolvendo sua mediunidade através das intuições e muito mais.

Por isso, para montar uma guia, deve-se estar tranqüilo, sem agitação externa e sem preocupações, enfim trabalhando, meditando e se conectando com seus Guias espirituais.

As guias, depois de prontas ou compradas devem ser descarregadas e cruzadas (benzidas).

Dependendo da doutrina de cada casa, as guias serão colocadas no conga por um determinado tempo, as vezes serão colocadas em certos recipientes com misturas de ervas, ou colocadas em sal grosso, e etc. Só depois de feito isso é que a entidade chefe da casa ou seu próprio guia vai cruzá-la.

Lembre-se, se a guia não foi cruzada, a mesma não terá nenhum valor.

Como dissemos acima, a guia será imantada com energias de acordo com as necessidades de quem vai usa-la e a que finalidade será utilizada.

TIPOS DE GUIAS

Existem pelo menos quatro tipos de guias que são utilizadas freqüentemente pelos filhos de fé.

São elas:

•Guia de proteção
•Guia de tratamento
•Guia do Orixá
•Guias das Entidades

Cada guia tem seu formato e cores específicas, como já lemos acima, ela será de acordo com a necessidade a que se destina.

Veja a seguir algumas características das guias mais utilizadas.

GUIA DE PROTEÇÃO

Geralmente, quando um médium entra para a religião e começa a trabalhar numa casa de Umbanda, pede-se para que ele providencie a sua guia de proteção.
Essa guia, não é uma regra, mas geralmente pede-se uma Guia de Oxalá, ou de Sete Linhas, em algumas casas utiliza-se uma guia “incomum”, ou seja, uma guia com cores e formatos diferentes do tradicional, de acordo com as instruções do Mentor da Casa é preparada uma guia “Daquele Centro”.
A guia de Oxalá é de cor branca. Oxalá é o Orixá Maior representado por Jesus.
Essa é a mais usada nos casos de proteção e tratamentos.
Já a guia de Sete Linhas, é aquela que tem sete cores, ou seja, representa os sete Orixás da Umbanda.
É utilizada também para proteção, pois significa que o médium está sob a proteção das Sete Linhas da Umbanda.

GUIA DE TRATAMENTO

Como vimos acima, usa-se muito a guia branca, pois ela tem, “também”, um efeito psicológico no tratamento.
Quando uma pessoa vai passar por um tratamento utilizando essa guia, é dito ao paciente que é uma guia devidamente cruzada para aquele tratamento, e que essa guia branca é a guia que representa a força ou vibração de Jesus, Oxalá na Umbanda.
Dito isso, a pessoa acaba tendo sua fé aumentada, só por ter dito que é de Jesus; e com isso se obtém melhores resultados no tratamento, não que outras guias não sirvam, mas a parte psicológica conta e muito.
Existem casos em que a entidade lhe empresta ou te dá a guia Dele. Nestes casos, quando você for presenteado com uma, não precisa repor; mas, quando for solicitada a sua reposição, não se esqueça de faze-la, existe aí uma grande ligação entre paciente e entidade.
Não precisa pressa, não; mas a devolução é um meio pelo qual a Entidade tem a certeza de que você ao menos tem interesse pelo "teu caso" e respeita o que o Caboclo ou Preto-Velho falou.

GUIA DO ORIXÁ

É a guia que está ligada à faixa vibratória do médium e também é a guia que representa a linhagem das entidades que trabalham com esse médium.
A guia do Orixá é feita na cor relacionada ao Orixá, geralmente de uma cor só, apesar de existirem centros que trabalham com Orixás cruzados. Nesses casos as guias são de duas ou mais cores.
Por exemplo, um Filho de Ogum, usa uma guia vermelha e um Filho de Oxossi usa uma guia verde.
Ogum (guerreiro) tem sua vibração nos campos abertos, já Oxossi (caçador) tem sua vibração nas matas, então não sei como pode existir esse cruzamento de vibrações e Orixás, mas existe...

GUIAS DAS ENTIDADES

São aquelas guias que não tem um padrão, ou seja, cada entidade pede sua guia de trabalho de acordo com suas necessidades. Por isso é que temos tantos modelos de guias tão diferentes umas das outras; temos guias feitas com contas (bolinhas) coloridas e intercaladas com outros materiais, como dentes, olho de cabra, coquinhos e etc.

As guias das entidades devem ser feitas exatamente como elas pediram, pois tem grandes significados para elas que nós nem sequer imaginamos, é como um ponto riscado, cheio de mistérios. Algumas dão até para adivinhar, por exemplo, uma guia toda verde com sete flechas intercaladas e com o fechamento vermelho.
Bem, vamos lá... A cor verde quer dizer que é um Caboclo (jamais vi um Preto-Velho ou um Exu com uma guia verde), as sete flechas poderia indicar o nome desse Caboclo e o fechamento vermelho pode estar indicando a linha que a entidade trabalha, nesse caso linha de Ogum. Então teríamos aí o Caboclo Sete Flechas de Ogum.
Isso foi só um exemplo, bem fácil por sinal. Existem muitas outras guias que são indecifráveis para nós.

CORES DAS GUIAS

Existem cinco tipos de guias que tem cores e formato “padrão”.
•Branco e Verde - Caboclo
•Branco e Preto - Preto Velho
•Azul e Rosa - Crianças
•Vermelho e Preto - Exu
•Branco, Vermelho, Azul, Verde, Amarelo, Marrom e Roxo - 7 Linhas (Orixás)

Essas guias, modelo padrão, são encontradas nas lojas especializadas. E são feitas na contagem de sete contas de cada cor.
Outros modelos de guias, só a pedido das entidades.

UTILIZANDO AS GUIAS

Geralmente os médiuns usam as seguintes guias no trabalho:
•De proteção
•Do seu Orixá
•Dos seus Guias (entidades que trabalham com o médium)

As guias são geralmente usadas no pescoço, porém em alguns casos pode-se notar que alguns médiuns as usam atravessadas no peito, outros na mão e etc.
Isso ocorre por vários motivos.

Vejamos alguns:
•As guias usadas no pescoço servem como um elo de ligação entre seu Orixá (faixa vibratória) e a entidade atuante naquele momento.
Usa-se a guia no pescoço para dar mais intensidade no lado mental do médium, melhorando a comunicação ou transmissão daquilo que a entidade pretende passar ou até mesmo ajudando na ligação do médium ao espírito na hora da incorporação das entidades, onde o médium precisa elevar a sua faixa vibratória e a entidade descer a sua para que ocorra a comunicação.

•Quando um médium utiliza a guia atravessada no peito, geralmente do lado direito para o esquerdo, é por causa do coração (estado emocional).
A entidade percebe que seu filho está ou tem algum problema ou desvio emocional que poderia influenciar no trabalho, geralmente corações endurecidos, então a guia será imantada para agir na parte emocional do médium.

Utiliza-se a guia atravessada também em tratamentos de certas partes do corpo, mas somente quando for ordenado que seja dessa forma, caso contrário a guia deve ser colocada no pescoço normalmente.

•Guias nas mãos ou enroladas no pulso, somente quando o médium está incorporado. Nesse caso, a entidade utiliza a guia para dar passes.
Quando a entidade enrola sua guia na mão, às vezes nas mãos do consulente, ela está direcionando energias.
Uma guia enrolada na mão da entidade serve como um condutor de energia que será emitida àquela pessoa, quando enrolada nas mãos do consulente, pode ser que a entidade esteja retirando energias negativas daquela pessoa.

Lembre-se que nem todas entidades trabalham dessa forma, cada um com seu jeito de trabalhar. Muitas entidades, ao invés de usar a guia para retirar ou emitir energias, preferem trabalhar com seu charuto ou cachimbo.

•Existem entidades que colocam suas guias no chão e pedem para que o consulente entre dentro daquele círculo na hora que forem passar pelo passe.
Esse círculo forma um campo magnético, onde a entidade vai trabalhar as diversas energias que está sendo trazida pelo consulente.

Existem entidades que não colocam sua guia, mas fazem um círculo riscado no chão, e trabalham da mesma maneira.

•Algumas entidades usam suas guias no pescoço do consulente na hora do passe, outras usam as guias para formar um círculo no ponto riscado e etc.

Muito bem, aí foram algumas formas que as guias são usadas nos trabalhos. Podem existir muitas outras maneiras diferentes de se usar uma guia, mas tudo deve ser feito com orientação.

Uma guia cruzada, usada sem orientação ou de forma errada, pode causar problemas a quem as utiliza.

RELEMBRANDO

-As guias são elementos ritualísticos pessoais, individuais e intransferíveis, devendo ser confeccionadas, manipuladas e utilizadas somente pelo médium a quem se destinam.

-Deve-se observar que cada indivíduo e cada ambiente possuem um campo magnético e uma tônica vibracional próprios e individual (tanto positivo quanto negativo).

-A confecção ou manipulação das guias por outras pessoas, ou ainda, seu uso, em ambientes ou situações negativas ou discordantes com o trabalho espiritual, fatalmente acarretará uma "contaminação" ou interferência vibracional.

-Como elemento de atração e isolamento, funcionam como um tipo de "Para-Raios", atraindo para si, toda (ou quase) a carga negativa ou estranha ao médium, isolando-o até certo ponto. No entanto, as guias irão permanecer "carregadas", até serem devidamente "limpas".

-Excepcionalmente, podem ser utilizadas pelo médium, para "puxar" uma determinada vibração, de forma a lhe proporcionar alivio em seus momentos de aflição. Nestes casos, 10 a 15 minutos de uso são suficientes.

-Em qualquer dos casos, a guia ira proporcionar uma interferência no campo magnético do médium. Dependendo da situação ou circunstância, poderá até mesmo causar-lhe um certo desconforto aparente ou mal-estar, devido a um aceleramento de sua Faixa Vibratória.

-Mesmo durante um trabalho espiritual ou ritualístico, notadamente antes de uma incorporação, o uso indiscriminado de diversas guias ao mesmo tempo, poderá prejudicar a sintonia do médium, uma vez que, diversas falanges serão atraídas ao mesmo tempo.

-Apenas em casos muito raros e excepcionais, podem ser utilizadas em outra pessoa, como forma a favorece-la com uma vibração positiva específica (notadamente em relação à saúde), observando-se, contudo o cuidado de ao retira-las, limpa-las adequadamente antes de serem reutilizadas pelo médium.

Como vimos, as guias são elementos ritualísticos muito sérios e como tal que devem ser respeitados e cuidados.

Seu uso deve se restringir ao trabalho espiritual, ao ambiente cerimonial (terreiro) e aos momentos de extrema necessidade por parte do médium.

Utilizar a guia em ambientes ou situações dissonantes com o trabalho espiritual, ou por mera vaidade e exibicionismo, é no mínimo um desrespeito para com a vibração a qual representam.

A guia é um objeto muito sério e deve ser utilizado com seriedade.
Lembre-se que as guias são objetos sagrados e como tais devem ser tratadas.

Mas, o mais importante de fato, é que o Filho aprenda a ter fé e confiança nas Entidades e em Deus, não se apoiando em verdadeiras "muletas psicológicas" para se sentir protegido.

Lembre-se:
o que está escrito aqui não é regra geral para a Umbanda!

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

IBEJI ERÊ

Ìbejì ou Ìgbejì - é Orisha protector dos gêmeos (twins) na Mitologia Yoruba.

Da-se o nome de Taiwo ao Primeiro gêmeo gerado e o de Kehinde ao último.
Os Yorùbá acreditam que era Kehinde quem mandava Taiwo supervisionar o mundo, donde a hipótese de ser aquele o irmão mais velho.

Cada gêmeo é representado por uma imagem. Os Yorùbá colocam alimentos sobre suas imagens para invocar a benevolência de Ìbejì. Os pais de gêmeos costumam fazer sacrifícios a cada oito dias em honra ao Òrìsà .

O animal tradicionalmente associado a Ìbejì é o macaco colobo, um cercopiteco endêmico nas florestas da África Equatorial.

A espécie em questão é o colobus polykomos, ou "colobo real", que é acompanhado de uma grande mística entre os povos africanos. Eles possuem coloração preta, com detalhes brancos, e pelas manhãs eles ficam acordados em silêncio no alto das árvores, como se estivessem em oração ou contemplação, daí eles serem considerados por vários povos como mensageiros dos deuses, ou tendo a habilidade de escutar os deuses.
A mãe colobo quando vai parir, afasta-se do bando e volta apenas no dia seguinte das profundezas da floresta trazendo seu filhote (que nasce totalmente branco) nas costas. O colobo é chamado em Yorùbá de edun oròòkun, e seus filhotes são considerados a reencarnação dos gêmeos que morrem, cujos espíritos são encontrados vagando na floresta e resgatado pelas mães colobos pelo seu comportamento peculiar.

Na África , as crianças representam a certeza da continuidade, por isso os pais consideram seus filhos sua maior riqueza. A preocupação com os sustento das crianças é freqüente entre os povos negros, haja a vista a miséria das cidades africanas e a situação do negro na escravidão e na diáspora.

A palavra Igbeji que dizer gêmeos e o orixá Igbeji é o único permanentemente duplo. Forma-se a partir de duas entidades distintas que coo-existem, respeitando o princípio básico da dualidade.

Contam os Itãs (conjunto de lendas e histórias passados de geração a geração pelos povos africanos), que os Igbejis são filhos paridos por Iansã, mas abandonados por ela, que os jogou nas águas. Foram abraçados e criados por Oxum como se fossem seus próprios filhos. Doravante, os Igbejis passam a ser saudados em rituais específicos de Oxum e, nos grandes sacrifícios dedicados à deusa , também recebem oferendas.
Entre os deuses africanos, Igbeji é o que indica a contradição,os opostos que caminham juntos a dualidade de todo o ser humano, Igbeji mostra que todas as coisas, em todas as circunstância, tem dois lados e que a justiça só pode ser feita se as duas medidas forem pesadas, se os dois lados forem ouvidos.

Na África, O Igbeji é indispensável em todos os cultos. Merece o mesmo respeito dispensado a qualquer Orixá, sendo cultuado no dia-a-dia. Igbeji não exige grandes coisas, seus pedidos são sempre modestos; o que espera como, todos os Orixás, é ser lembrado e cultuado. O poder de Igbeji jamais podem ser negligenciado, pois o que um orixá faz Igbeji pode desfazer, mas o que um Igbeji faz nenhum outro orixá desfaz. E mais: eles se consideram os donos da verdade.

BRASIL

Existe uma confusão latente entre o Orixá Ibeji e os Erês. É evidente que há uma relação, mas não se trata da mesma entidade.

Ibeji, são divindades gêmeas, sendo costumeiramente sincretizadas aos santos gêmeos católicos Cosme e Damião.

Por serem gêmeos, são associados ao princípio da dualidade; por serem crianças, são ligados a tudo que se inicia e brota: a nascente de um rio, o nascimento dos seres humanos, o germinar das plantas, etc.

Seus filhos são pessoas com temperamento infantil, jovialmente inconseqüente; nunca deixam de ter dentro de si a criança que já foram. Costumam ser brincalhonas, sorridentes, irrequietas, tudo enfim que se possa associar ao comportamento típico infantil. Muito dependentes nos relacionamentos amorosos e emocionais em geral, podem então revelar-se teimosamente obstinados e possessivos. Ao mesmo tempo, sua leveza perante a vida se revela no seu eterno rosto de criança e no seu modo ágil de se movimentar, sua dificuldade em permanecer muito tempo sentado, extravasando energia.

Podem apresentar bruscas variações de temperamento, e certa tendência a simplificar as coisas, especialmente em termos emocionais, reduzindo, à vezes, o comportamento complexo das pessoas que estão em torno de si a princípios simplistas como "gosta de mim" ou "não gosta de mim".
Isso pode fazer com que se magoem e se decepcionem com certa facilidade.
Ao mesmo tempo, suas tristezas e sofrimentos tendem a desaparecer com facilidade, sem deixar grandes marcas. Como as crianças em geral, gostam de estar no meio de muita gente, das atividades esportivas, sociais e das festas.

• Crianças na Umbanda
• Ibeji no Batuque
• Bêji no Xambá

A grande cerimônia dedicada a estes orixás acontece a 27 de setembro, dia de Cosme e Damião, quando comidas como caruru, vatapá, bolinhos, doces, balas (associadas às crianças, portanto) são oferecidas tanto aos orixás como aos freqüentadores dos terreiros.

Ibeji na nação Keto, ou Nvunji nas nações Angola e Congo.

É a divindade da brincadeira, da alegria; sua regência está ligada à infância.

Ibeji está presente em todos os rituais do Candomblé pois, assim como Exu, se não for bem cuidado pode atrapalhar os trabalhos com suas brincadeiras infantis, desvirtuando a concentração dos membros de uma Casa de Santo.

É o orixá que rege a alegria, a inocência, a ingenuidade da criança. Sua determinação é tomar conta do bebê até a adolescência, independente do orixá que a criança carrega. Ibeji é tudo de bom, belo e puro que existe; uma criança pode nos mostrar seu sorriso, sua alegria, sua felicidade, seu engatinhar, falar, seus olhos brilhantes.

Na natureza, a beleza do canto dos pássaros, nas evoluções durante o vôo das aves, na beleza e perfume das flores. A criança que temos dentro de nós, as recordações da infância. Feche os olhos e lembre-se de uma felicidade, de uma travessura e você estará vivendo ou revivendo uma lenda desse orixá. Pois tudo aquilo de bom que nos aconteceu em nossa infância, foi regido, gerado e administrado por Ibeji. Portanto, ele já viveu todas as felicidades e travessuras que todos nós, seres humanos, vivemos.

A palavra Eré vem do yorubá, iré, que significa "brincadeira, divertimento". Daí a expressão siré que significa “fazer brincadeiras”.

O Ere(não confundir com criança que em yorubá é omodé) aparece instantaneamente logo após o transe do orixá, ou seja, o Ere é o intermediário entre o iniciado e o orixá. Durante o ritual de iniciação, o Ere é de suma importância pois, é o Ere que muitas das vezes trará as várias mensagens do orixá do recém-iniciado.

O Ere na verdade é a inconsciência do novo omon-orixá, pois o Ere é o responsável por muita coisa e ritos passados durante o período de reclusão.
O Ere conhece todas as preocupações do iyawo (filho), também, aí chamado de omon-tú ou “criança-nova”.
O comportamento do iniciado em estado de “Ere” é mais influenciado por certos aspectos de sua personalidade, que pelo caráter rígido e convencional atribuído a seu orixá.
Após o ritual do orúko, ou seja, “nome de iyawo” segue-se um novo ritual, ou o reaprendizado das coisas.

Símbolos: 2 bonecos gêmeos, 2 cabacinhas, brinquedos;
Plantas: jasmim, maçã, alecrim, rosa
Dia: domingo e segunda-feira para nações Ketu e Jeju Jexá;
Cor:azul , rosa, verde, mas na verdade gosta do colorido em si.
Metal: estanho. Seus elementos: fogo, ar.
Saudação:Omi Beijada! Ou Kao Kaobicile, pois é também um Xangô.
Domínios: parto e infância. Amor união.
Comidas: caruru, cocada, cuscuz, frutas doces.
Animais: passarinhos.
Quizilas: morte, assobio.
Características: alegre, otimista, rincalhão, esperto, trabalhador, imaturo, birrento, voraz.
O que faz: ajuda a resolver problemas de crianças, dá harmonia na família, facilita uniões.
Riscos de saúde: alergias, anginas, problemas de nariz, raquitismo, acidentes.

LENDAS:

Existia num reino dois pequenos príncipes gêmeos que traziam sorte a todos. Os problemas mais difíceis eram resolvidos por eles; em troca, pediam doces balas e brinquedos. Esses meninos faziam muitas traquinagens e, um dia, brincando próximos a uma cachoeira, um deles caiu no rio e morreu afogado.

Todos do reino ficaram muito tristes pela morte do príncipe. O gêmeo que sobreviveu não tinha mais vontade de comer e vivia chorando de saudades do seu irmão, pedia sempre a orumilá que o levasse para perto do irmão.

Sensibilizado pelo pedido, orumilá resolveu levá-lo para se encontrar com o irmão no céu, deixando na terra duas imagens de barro. Desde então, todos que precisam de ajuda deixam oferendas aos pés dessas imagens para ter seus pedidos atendidos.

LENDAS:

Iansã e Xangô tiveram dois filhos gêmeos. Só que, quando eles ainda eram pequenos, houve uma epidemia que matou muitas crianças do povo, e um dos gêmeos morreu.

Os pais ficaram desesperados e Iansã, como é amiga dos Eguns, resolveu pedir sua ajuda. Esculpiu um boneco de madeira igual ao filho que havia morrido, vestiu-o e enfeitou-o como se fosse para uma festa e colocou-o no lugar de honra da casa.

Todos os dias ela colocava uma oferenda aos pés da imagem e conversava com ela como se fosse seu filho vivo. Comovidos com seu amor pela criança, os Orixás fizeram a estátua viver e Iansã voltou a ter seus dois filhos.

sábado, 8 de agosto de 2009

RELIGIÃO E RELIGIOSIDADE

Quando Jesus declara:

“Não creais que eu tenha vindo trazer a paz, mas, sim, a divisão”, seu pensamento era este:
“Não creais que a minha doutrina se estabeleça pacificamente; ela trará lutas sangrentas, tendo por pretexto o meu nome, porque os homens não me terão compreendido, ou não me terão querido compreender.

Os irmãos, separados pelas suas respectivas crenças, desembainharão a espada um contra o outro e a divisão reinará no seio de uma mesma família, cujos membros não partilhem da mesma crença. Vim lançar fogo à Terra para expungi-la dos erros e dos preconceitos, do mesmo modo que se põe fogo a um campo para destruir nele as ervas más, e tenho pressa de que o fogo se acenda para que a depuração seja mais rápida, visto que do conflito sairá triunfante a verdade.
A guerra sucederá a paz; ao ódio dos partidos, a fraternidade universal; às trevas do fanatismo, a luz da fé esclarecida. Então, quando o campo estiver preparado, eu vos enviarei o Consolador, o Espírito de Consolador, que virá restabelecer todas as coisas, isto é, que, dando a conhecer o sentido verdadeiro das minhas palavras, que os homens mais esclarecidos poderão enfim compreender, porá termo à luta fratricida que desune os filhos do mesmo Deus.
Cansados, afinal, de um combate sem resultado, que consigo traz unicamente a desolação e a perturbação até ao seio das famílias, reconhecerão os homens onde estão seus verdadeiros interesses, com relação a este mundo e ao outro.

Verão de que lado estão os amigos e os inimigos da tranqüilidade deles. Todos então se porão sob a mesma bandeira: a da caridade, e as coisas serão restabelecidas na Terra, de acordo com a verdade e os princípios que vos tenho ensinado.”


Nesta sessão iremos falar do sentido religioso, da religião ou religiosidade.
Já vimos que a religião, no plano da Terra, é constituída de dois aspectos:
o aspecto humano e o aspecto divino.

O aspecto humano é a forma com o qual o homem entende a religião. É sua cultura, sua forma de viver, é o entendimento do que ele tem do aspecto divino da religião. Diante do exposto, lógico perceber que há uma diversidade muito grande de religiões, porque há uma grande diversidade de entendimento entre os homens.

O aspecto divino é a grande Lei da Vida, é a vontade de Deus, a harmonia universal, leis imutáveis que regem nossos destinos. De tempos em tempos, nascem seres com a missão de melhorar o entendimento humano para essa grande Lei da Vida, são aqueles que orientam as grandes massas humanas, direcionam seus pensamentos e tornam-se seus líderes espirituais.

Todos ouvimos dizer que somos (em Espírito) a imagem e semelhança de Deus. Mas nem todos os homens são iguais! Podemos ilustrar essa condição da seguinte forma: sendo um espelho, uns estão mais sujos que outros. Os espelhos mais sujos, são os homens com o entendimento mais material, mais egoísta e orgulhoso, nestes espelhos, a luz divina não reflete seu brilho em sua totalidade. Já os espelhos mais limpos, que são os homens com o entendimento mais espiritual, mais altruísta e humilde, conseguem refletir o brilho de Deus em sua totalidade.

Tomemos um grande exemplo: vejam que esses homens, em sua maioria, não fundaram religiões, todos falavam, ensinavam, demonstravam a Lei de Deus. Suas vidas foram dedicadas ao esclarecimento divino do amor universal. Poucos escreveram, a maioria realizou. Após suas mortes, o homem, por falta de condições de entendimento espiritual, formaram seitas com seus ensinamentos, fizeram a idolatria, reduzindo a luz de Deus e, muitas vezes, deturpando totalmente seus ensinamentos em nome da dominação. É só olharmos os espetáculos de pura crueldade, que em nome da religião, a história e a atualidade nos apresenta.

Nosso convite é deixarmos o aspecto humano da religião de lado.

Por princípio, toda a religião é boa se fizer seu adepto melhorar sua condição moral, fazendo com que ele se torne uma pessoa boa.
As religiões brigam porque uma acredita que Jesus é Deus encarnado, a outra discorda completamente disso. Uma acredita que Maria era Virgem do corpo, a outra diz que esse sentido era espiritual.
Uma diz que Jesus tinha um corpo que não era carne.
Uma briga porque diz que seus adeptos têm que se vestir de uma forma, a outra porque não admite certos alimentos. E por fim, não se preocupam com o que é mais importante. Vivem em disputas infrutíferas.

Se observarmos, veremos que os grandes seres, que nasceram para nos instruir, sempre falaram de um estado espiritual, de uma vida espiritual de solidariedade, de fraternidade, eles nunca disseram que nos planos elevados da vida existe divisão religiosa. Isso porque só há uma religião, uma religiosidade, que é a Lei de Deus, que Jesus sintetizou de forma magnífica:

"Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo".

Se você tem uma cultura religiosa de adoração a imagens, que adore sua imagem! O que importa isso? O importante é saber que se você adorar sua imagem e não fizer a caridade, a solidariedade, a fraternidade, ajudar o próximo, não estará fazendo nada de bom, estará jogando seu tempo fora. Então adore sua imagem, mas cumpra seu dever dentro da Lei de Deus.

Se sua religião diz que você não pode comer certo tipo de alimento, muito bem, não coma. Mas saiba que não é o que entra pela boca do homem que macula o homem, e sim o que sai da boca. Porque o que sai da boca do homem é o que ele tem no coração.

E é o que ele tem no coração que lhe dará elevação espiritual.
Pra que discutir sobre o que você come?
Pra que as religiões brigarem por isso?

Não perca tempo com discussões vãs, respeite a religião que você abraçou e seja um homem bom.

Enfim, poderíamos escrever páginas e páginas sobre o que é humano na religião. Mas escreveremos o que é mais importante, escreveremos sobre o que é divino.

Um excelente exemplo da interpretação dos homens colocaremos agora:
deixamos aqui a magnífica demonstração da Lei de Deus entregue pelo Mestre Jesus, o Sermão da Montanha. Nele, o Mestre, com palavras simples, falando para um povo rude, demonstra a lógica da Lei Divina. Demonstra o que, em verdade, devemos dar atenção.

Colocamos duas interpretações, a de Mateus e a de Lucas. Notamos que em Mateus, um publicano, um homem culto e que viveu diretamente com o Mestre Jesus, retira das palavras do Mestre sua essência espiritual. Notaremos como Mateus coloca as palavras com um sentido mais elevado, que nos deixa em estado de enlevo.

Exemplo:
Mateus: Bem-Aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus.
Lucas: Bem-Aventurados os pobres, porque vosso é o reino de Deus.

O primeiro associa nossa elevação a um estado de espírito elevado pela virtude. O outro, se fizermos simples leitura, associa nossa elevação a simples condição financeira. O que demonstra tremenda injustiça divina, coisa que é impossível.

Por esse motivo, ouvimos pessoas dizerem que não procuram a leitura do Evangelho por haver muito erro (manipulação) da tradução realizada.
Felizmente para nós, há um caminho claro. Precisamos associar todas as informações, todas as palavras, com os atributos divinos de toda perfeição e justiça de Deus. Neste caso, é só acrescentarmos a palavra espírito a palavra pobre que teremos um sentido espiritual e consonante com a Lei Divina. Poderíamos ler assim:

Bem-aventurados os pobres de espírito (da maldade, da avareza, do egoísmo, do orgulho, etc..., que são os humildes) que deles é o reino dos céus.

Apreciem as palavras ditas pelo Mestre Jesus. Vejam o que verdadeiramente temos que dar atenção.

Lembrem-se:
toda religião é divina, nela você encontra tudo o que você precisa saber para se elevar.
Procure nos textos que norteiam sua religião, nas palavras dos seus iniciadores, o sentido da vida deles, que você achará o caminho de "volta pra casa".

Não perca tempo com vãs discussões e vãos comentários.

Todos estamos cansados de guerras, lutas, discussões.
Precisamos fazer o que Deus espera de nós.

www.cura.metafisica.nom.br

ALÉM DA VIDA

O que nos espera depois da morte física?

Esta é uma pergunta que muitos se fazem ante o desconhecimento do que os aguarda, alimentam o terror da morte.

Pessoas há que sequer ousam mencionar a palavra, como se isso fosse atrair o fato para si ou para os seus.

Mas isso não impede que a morte chegue.

O medo de morrer está muito em função do desconhecimento de que para além da vida
corporal existe a verdadeira, a vida espiritual.

Embora alguns ainda duvidem, é uma certeza.

Dr. Raymond Moody Jr, com residência na Escola de Medicina da Universidade de Virgínia, nos Estados Unidos, possui larga experiência sobre o assunto.
Com vários livros publicados, ele relata os casos de pacientes que tiveram experiências de quase morte.

Isto é, pessoas que sofreram problemas graves, que quase lhes assinalaram a morte e
retornaram, contando o que lhes aconteceu naquele período. Embora alguns tratem tais relatos como alucinação, não se pode conceber que ao retornarem ao corpo, após a morte aparente, tais criaturas relatem fatos, situações, quase sempre confirmadas.

Mais recentemente, Dr. Moody passou a analisar o caso de crianças que sofreram morte
aparente. Porque, diz ele, se o adulto teve tempo para ser influenciado e modelado pelas experiências de sua vida e crenças religiosas, as crianças não estão profundamente influenciadas pelo ambiente cultural e nelas a experiência adquire um certo frescor.

É o caso da garota de sete anos que, ao atravessar um trecho congelado do rio, caiu e
bateu a cabeça. Desmaiou e permaneceu inconsciente por doze horas. Durante esse tempo, o médico não sabia se ela iria morrer ou viver. A garota se viu em um jardim extraordinariamente belo, com flores semelhantes a dálias enormes.

Olhou em volta e viu um ser.
Sentiu-se amada e acalentada pela sua presença.
Foi uma sensação deliciosa, como jamais experimentara em sua vida.

O ser então lhe disse: você vai voltar.
E ela respondeu: sim.

Ele perguntou porque ela queria retornar ao seu corpo e ela disse:

-porque minha mãe precisa de mim.

Depois disso, sentiu-se descendo por um túnel.
Acordou na cama, levantou-se e disse: oi, mamãe.
Essa é uma boa evidência de que há vida depois da morte.
Prosseguiremos a viver sim, porque o espírito é imortal e haverá de retornar, muitas vezes ainda, ao cenário da Terra, até sua completa depuração.

Você sabia?

Você sabia que, quando as crianças relatam suas experiências de quase morte, constata-se que um número surpreendente delas se vêem em corpos espirituais adultos?

Tal fato está levando expoentes da psiquiatria, da psicologia e da psicanálise à conclusão de que o homem não é um ser físico, vivendo experiências espirituais, mas um ser espiritual, temporariamente ligado a um corpo físico.

É a ciência levando o homem a reconhecer as verdades já propaladas desde a remota
Antigüidade e divulgadas por Jesus.


Texto com base no cap. 3 do livro A luz do além, de Raymond Moody, Jr., Ed. Nórdica.
Mensagem divulgada na lista da
Choupana do Caboclo Pery – Porto Alegre – RS

SEGREDOS NA UMBANDA

Tenho ouvido falar muito em “segredos de Umbanda”, segundo alguns dirigentes, estes segredos não podem ser revelados, alguns inclusive se irritam quando são questionados sobre determinados assuntos, e quando não se recusam a responder, simplesmente o fazem de maneira vaga, com a famosa frase:

“..É assim mesmo...”

Tenho uma opinião sobre isto, acredito que dirigentes que criam segredos para a Umbanda o fazem por dois motivos:
Ou o fazem por não querer dividir seu saber com os outros, achando que assim vai conseguir manter sua superioridade, como “detentor dos segredos da Umbanda” , conseguindo assim manter seu pretenso poder sobre um grupo.
Ou o fazem por também não saberem as respostas, e não tem a humildade de reconhecer isto, como também não tem o interesse de as procurarem, achando que a obrigação disto é das entidades, ou que o estudo em nada vai contribuir para seu “desenvolvimento”.

Seja qual for o motivo, os tais “segredos de Umbanda”, são ao meu ver um dos grandes motivos da debandada de médiuns dos terreiros, pois os tempos hoje são outros, e temos em nossos terreiros pessoas cada vez mais ávidas por conhecimentos, e se não oferecermos isto a eles, com certeza eles vão procura-los em outros locais.

Pai Tomas, Preto Velho o qual tenho a honra de servir como aparelho, usa uma frase que sintetiza tudo isto:

“O verdadeiro sábio não é aquele que recolhe para si todo o conhecimento, o verdadeiro sábio é aquele que esta sempre dividindo o pouco que aprende...”

Pensem nisto Amigos Dirigentes, acabem com estes “segredos”, antes que eles acabem com a Umbanda.

Marco Boeing
Dirigente da Assema - Curitiba

MEDO DA MORTE

Que os religiosos não espíritas tenham medo da morte, é até compreensível, pois deve ser extremamente tediosa uma existência onde não ajam ações, como aquelas que crêem que existirá depois do desencarne. Além do mais, a visão do sono profundo não deixa que este ser tenha a confirmação da existência da vida espiritual pós-morte.

Os espíritas, no entanto, que possuem o conhecimento sobre as atividades extras corpóreas e as comprovações da existência desta vida, possuírem o mesmo medo, é algo inadmissível. Apesar de todas as transmissões da espiritualidade descortinando o véu do esquecimento, os espíritas apegam-se à vida material.

Isto ocorre porque, tanto um quanto o outro ainda está preso à matéria carnal através de “elos”.

O Espiritualismo Ecumênico Universal ensinou as “Quatro Âncoras”, ou seja, quatro grupos de aspirações que os seres humanos possuem que dificultam a sua elevação espiritual. Estas “Quatro Âncoras”, no entanto, são presas por “Quatro Elos”, que fixam o ser na vida carnal. É destes dois conjuntos que provém o medo da morte.

Falemos um pouco sobre estes “elos”.

A morte do ser humano

Neste trabalho quando nos referimos à morte, não estamos abordando apenas o assunto “desencarne”, mas também o renascimento que Cristo ensinou a Nicodemus:

“Eu afirmo que ninguém pode entrar no Reino de Deus se não nascer da água e do Espírito. A pessoa nasce fisicamente de pais humanos, mas nasce espiritualmente do Espírito de Deus. Por isso não se admire de eu dizer que todos vocês precisam nascer de novo. O vento sopra onde quer e ouve-se o barulho que faz, mas não se sabe de onde vem nem para onde vai. O mesmo acontece com todos os que nascem do Espírito”. (Evangelho de João – cap 03 – vers 05)

O medo da morte física (desencarne) advém da certeza que, ao morrer, nascerá um novo ser: o espírito ou alma, como queiram chamá-la. É desta certeza que advém o medo da morte que o ser humano sente.

O ser humano tem medo do processo de sua transformação em espírito, e, por isto, teme a morte. Ele teme a transformação porque tem medo da perda da sua identidade, ou seja, do seu “eu”.

Entretanto, Cristo nos afirma que este “eu” material deve ser eliminado ainda na própria existência corporal para que se entre no gozo da felicidade universal.

É preciso que o ser na carne “morra” (elimine o “eu” humano) para que renasça o espírito (a universalização dos conceitos) para alcançar o “Reino de Deus”. Este processo ficou conhecido como reforma íntima.

Eliminar o “eu” é deixar de utilizar as propriedades intrínsecas do ser – inteligência, amor e justiça – com objetivos individualistas. Quando isto acontecer, o ser não será mais o que é, ou seja, não terá a mesma consciência que possui hoje. Este é o temor dos seres humanos: deixarem de ser quem são.

A morte que estamos falando neste trabalho é exatamente o fim deste “eu” e isto não implica necessariamente em ter de sair da carne. É do temor da promoção da reforma íntima (fim do “eu”) que vamos falar.

Para se processar a reforma íntima é preciso quebrar os quatro elos que aprisionam as quatro âncoras ao ser humano.

Quatro Âncoras

São os seguintes os quatro grupos de situações (“Quatro Âncoras“) que dificultam a elevação espiritual:

Desejo de ganhar e medo de perder;
Desejo de se satisfazer e medo da insatisfação;
Desejo de ser elogiado e medo da crítica;
Desejo de obter a fama e medo da infâmia.

O ser humano é um ser universal que particulariza as suas propriedades intrínsecas: inteligência, justiça e amor. Esta particularização é representada neste ensinamento pelas quatro âncoras.

O ser humano que deseja sempre ganhar, satisfazer seus desejos, ser elogiado e obter a fama, utiliza no processo raciocínio conceitos que objetivem este fim. Determina os padrões de justiça de acordo com o seu objetivo e, desta forma, ama apenas a si mesmo.

As “Quatro Âncoras” levam o ser a não cumprir o segundo mandamento da “constituição universal” (amar ao próximo como a si mesmo), comprometendo a busca que ele vem realizar na carne: a evolução espiritual. É preciso que o ser livre-se destas amarras para poder navegar em direção ao porto da sabedoria, onde a utilização das propriedades é universal.

Libertando-se das âncoras

Para liberar-se das âncoras é preciso eliminar os quatro elos que as prendem ao ser. Sem quebrá-los é impossível livrar-se destas amarras.

A quebra, porém, não pode ser feita individualmente, pois as quatro âncoras estão aprisionadas nos “Quatro Elos”: todos os elos aprisionam todas as âncoras. Seria impossível se libertar de apenas uma âncora quebrando apenas um dos elos.

A reforma íntima, portanto, depende do ser quebrar os “Quatro Elos” para libertar-se das quatro âncoras de uma só vez, alcançando a universalização de suas propriedades e entrando no gozo da felicidade universal.

Os Quatro Elos

Baseado em um ensinamento budista.

Suta Anguttara Nikaya IV.184 – Abhaya Sutta.

Quando o brâmane Janussoni pediu a Buda ensinamentos sobre o medo que sentem aqueles que estão face à morte (fim do “eu”), o Iluminado apontou os “Quatro Elos” que aprisionam as “Quatro Âncoras”. São eles:

A paixão pela posse moral (sensualidade);
A paixão pelas coisas materiais (corpo);
O individualismo (prática de coisas “más”);
A falta de fé (incompreensão dos ensinamentos).

Estes são os “Quatro Elos” que prendem o ser universal à visão ser humano, não permitindo a evolução espiritual. São eles que aprisionam o ser no desejo de ganhar, se satisfazer, ser elogiado e alcançar a fama.

Primeiro elo

O primeiro elo que prende as “Quatro Âncoras” que aprisionam o ser na visão ser humano é a paixão pela posse moral.

O ser individualista imagina que apenas o que ele compreende das coisas é que está “certo”, é “bom” e “belo”. Tudo o que os outros acham diferente dele está “errado”, é “mau” ou “feio”.

A posse moral se caracteriza pela detenção da “verdade”. A paixão por possuir a “verdade” sobre as coisas é que leva o ser a querer ganhar sempre, se satisfazer, ser elogiado e ficar famoso.

O prazer gerado pela satisfação do cumprimento dos seus desejos é tão forte que Buda comparou-o ao prazer sexual. É por este motivo que ele fala deste elo como uma paixão sensualista.

Quebrar este elo é abrir mão de possuir a “verdade” sobre as coisas. É preciso acreditar que todos os acontecimentos do universo estão perfeitos porque partem da Inteligência Suprema, observados os parâmetros de Justiça Perfeita e Sublimação do Amor.

Este elo foi simbolizado na Bíblia Sagrada na história de Adão e Eva. A mulher foi tentada a comer a “maçã” (adquirir um conhecimento) para alcançar o poder de determinar o que é “bom” ou “mau” no universo.

As religiões que utilizam a Bíblia como livro básico afirmam que é necessário acabar com o pecado original (o ato de Eva) para alcançar o reino do céu. Estão falando, portanto, da quebra do primeiro elo.

Assim sendo, a informação da quebra deste elo não é exclusividade do budismo, mas também é ensinamento de toda religião que utiliza a Bíblia.

Segundo elo

O segundo elo que prende as quatro correntes é a paixão pelas coisas materiais. Chamamos esta paixão de posse.

O prazer advindo da posse das coisas morais é que leva o espírito a ter medo de perdê-las, pois desta forma ficará insatisfeito, sentindo-se difamado. A perda é considerada uma crítica aos seus desejos.

Para acabar com estes sentimentos é que o espírito precisa despossuir todas as coisas materiais. Para que isto aconteça é necessária a compreensão de que o universo é a casa de Deus e que tudo que aqui existe pertence a Ele.

Se o universo foi criado por Deus para servir aos seres no seu processo de evolução, podemos afirmar que as coisas materiais são instrumentos para esta busca. Assim, enquanto o ser necessitar delas, o Pai as colocará à sua disposição, tornando-o “guardião” temporário delas.

Portanto, se as coisas são instrumentos da elevação do ser, fazem da parte da “prova” que ele tem que fazer quando está encarnado para alcançar a elevação espiritual.

Aprendemos na “Segunda Verdade Universal” da Doutrina Espiritualista Ecumênica que a prova é alterar a visão sobre as coisas, não vendo a forma, mas a essência.

É baseado nesta Verdade Universal que Buda utiliza no seu ensinamento “a paixão pelo corpo”. Quem está preso a este elo se apaixona pela forma das coisas e não pela sua essência. Esta paixão é que leva à posse.

Ao demonstrar que a vida carnal nada mais é do que uma etapa da vida espiritual, Kardec ensinou que o ser humano deve abrir mão das posses materiais para poder alcançar a elevação espiritual. O espiritismo, portanto, pede o fim do segundo elo.

Terceiro elo

Para Buda, o terceiro elo é a apreensão quanto ao resultado da provação que o ser faz durante a vida carnal.

Pela consciência que possui de ter buscado apenas a sua satisfação pessoal ao invés de universalizar os acontecimentos durante a existência carnal, o espírito sabe que causou ferimentos aos demais seres. Pelo estudo, compreende que precisa expiar suas faltas seja em nova encarnação ou no “umbral”.

Para fugir deste “destino” prende-se ainda mais à visão ser humano, imaginando que desta forma estará fora do alcance da ação justa de Deus, que só ocorrerá depois da “morte”.

A expiação de erros é chamada de “carma”, ou seja, um acontecimento traçado no sentido de expiar o “sofrimento” que “causou” ao outro ser. O carma causa medo, porque o ser sabe que ele se constituirá de um acontecimento que não satisfará os seus conceitos, ou seja, não levará a um prazer individual.

Fala-se muito em carma de vida passada, ou seja, expiações de situações de sofrimentos causadas em vidas anteriores, mas existe também o carma da vida atual. Este último, na maioria das vezes, é expiado nesta própria vida. Como no ditado popular, “aqui se faz, aqui se paga”.

Deus providencia situações na vida do ser encarnado para que ele inicie a expiação de suas faltas nesta mesma vida. Apenas quando isto não é possível, o carma é transferido para uma próxima encarnação. Como o ser humano imagina que sua vida de encarnado independe da vontade de Deus, não compreende esta ação imediata do Pai.

Aquele que entende Deus como Causa Primária das coisas vê a ação do Pai a cada segundo na sua vida perde o medo de carmas futuros, pois compreende nas situações que está passando a expiação de faltas desta mesma vida.

Quem vê no Pai não um juiz severo que distribui penas, mas uma fonte de Amor Sublime que proporciona situações para que o ser possa evoluir, não tem medo do carma, quer desta vida ou de outra. Ao invés de sentir-se apenado, o ser participa da felicidade que é ter Deus como Pai.

Portanto, a forma de se quebrar este elo é alterar a visão sobre Deus: não vê-lo mais como Senhor Onipotente do universo ou um Juiz Severo, mas um Pai Justo e Amoroso que só quer que os filhos consigam evoluir na sua existência espiritual.

Este foi o ensinamento máximo que Cristo nos enviou. A “Boa Nova” trazida pelo Mestre é a compreensão da ação de Deus sobre seus filhos no sentido de proporcionar-lhes a entrada no reino do céu (felicidade universal).

Quarto elo

Este elo talvez seja o mais difícil de ser quebrado pelo ser, pois ele jamais será alcançado por comprovações materiais. Para alguns é mais fácil quebrar a posse moral; para outros, a espiritual ; muitos, ainda, conseguem perder o medo do carma, pois conseguem “enxergar” materialmente estes ensinamentos. O quarto elo, no entanto, jamais poderá trazer confirmações materiais, pois isto o tornaria mais forte e resistente.

A fé é um sentimento que foi descrito por Cristo no primeiro mandamento da constituição universal: “amar a Deus acima de todas as coisas”. A fé é expressa através do amor incondicional ao Pai e a resposta de Deus aos seus filhos é a felicidade universal alcançada.

Infelizmente não é esta a compreensão que os seres encarnados possuem da fé, pois eles a condicionam à satisfação dos seus desejos. Para amar a Deus (ser feliz), os seres humanos precisam de posses materiais, morais e de situações de não sofrimento. Não amam a Deus, mas a si mesmos.

Para que o quarto elo seja quebrado, ou seja, para que o ser humano alcance a fé em Deus, é preciso que todos os outros três elos (posse moral e material e a não existência de situações de sofrimento) sejam mantidos.

Como já explicamos, as “Quatro Âncoras” não podem ser eliminadas isoladamente, pois estão presas pelos quatro elos. Somente com a ruptura total destes elos é que o ser se libertará das âncoras.

Ninguém deve amar outra pessoa tendo “motivos” para isso, pois o amor não pode ter condições. Quem ama o outro porque é “belo”, ama a beleza e não o ser; quem ama porque o outro é amigo, ama a amizade; quem ama pela cultura, ama a sabedoria.

Em qualquer caso que exista uma condição para o amor, não há este sentimento pelo outro ser, mas pela condição que ele representa.

Para quebrar o quarto elo o ser necessita não mais impor condições para o exercício do amor. A ruptura do quarto elo passa pelo fim da “fé raciocinada”, ou seja, pelo fim da análise do “prazer” que resultará do trabalho do ser.

A quebra do quarto elo só será alcançada com a fé incondicional a Deus: entrega e confiança total no Pai.

Para isto é preciso a perfeita compreensão dos ensinamentos deixados por todos os mestres.

Nenhum deles criou condições para que se amasse a Deus, mas pediram que se tivesse uma fé incondicional no Pai. Todos os ensinamentos tiveram este objetivo, mas foram interpretados pelo ser humano de forma diferente, pois buscavam a satisfação pessoal.

Quebrando os elos

Para alcançar a elevação espiritual o ser precisa, então, quebrar os “Quatro Elos” para que se liberte das “Quatro Âncoras”.

Este é o trabalho que o ser terá que fazer algum dia, pois como ensinou Kardec, todos os seres um dia terão que evoluir, independente de sentirem medo ou não. Este processo de transformação foi que levou diversos seres à elevação em uma de suas encarnações.

É um processo inexorável que todo ser tem que passar. O medo de enfrentar o renascimento apenas retarda o momento, mas não pode eliminá-lo nunca, pois faz parte integrante da existência do ser, como a “morte física” faz parte da vida carnal.

Além do medo do desconhecido (em que se transformará depois do renascimento) o ser tem o conhecimento inconsciente de que os “Quatro Elos” não podem ser quebrados passo a passo, mas que precisam ser rompidos ao mesmo tempo, o que exige um grande esforço. Por isto, encarnação após encarnação, o ser tenta quebrar os elos, mas não consegue se desfazer deles todos ao mesmo tempo.

Todos os elos agem e são dependentes entre si. A posse moral nutre a posse material, pois o indivíduo “certo” quer determinar a forma das coisas morais. O fim destas duas âncoras depende exclusivamente do fim do carma, já que na maioria das vezes esta ação divina fere as posses do ser.

Como perder tudo isso sem perder o amor a Deus? Compreendendo Sua ação no universo, ou seja, tendo fé.

O ser que busca realmente quebrar os quatro elos precisa atacá-los todos de uma vez, abandonar o “poder” de determinar o valor das coisas, para poder abrir mão das posses materiais. Para isso precisa perder o medo do carma, amando a Deus mesmo que suas vontades não sejam satisfeitas.

Existem dois instrumentos para esta ação: espiritualismo e ecumenismo.

Para quebrar os quatro elos o ser precisa acabar com a divisão do universo em material e espiritual, pois esta divisão leva à busca da satisfação em um mundo (material), afastando para o outro (espiritual) a ação universal. Para colocar em prática esta visão, é preciso juntar os ensinamentos de todos os mestres em apenas um caminho para se amar a Deus.

Como fizemos questão de frisar, todos os enviados de Deus falaram dos quatro elos e trouxeram os ensinamentos necessários para que eles fossem quebrados. O ser humano é que separou estes ensinamentos, quando afirmou ou entendeu que a elevação espiritual só seria alcançada trabalhando-se em apenas alguns deles.

Mesmo a forma da ligação necessária com Deus para a quebra dos elos foi diversificada, pois já se entendeu que apenas a junção de todas elas facilitará esse trabalho.

Alguns afirmam que o trabalho da elevação será alcançado recitando os textos sagrados (islamismo), outros com a meditação (orientais) e outros ainda através da oração (cristãos). Na verdade, a elevação espiritual só será alcançada quando se viver a vida material em meditação, recitando para si mesmo os ensinamentos que os mestres deixaram, a cada segundo. Esta vida é uma vida em oração, ou seja, vivida de acordo com as palavras dos livros sagrados.

Tanto o espiritualismo como o ecumenismo leva o ser a universalizar suas propriedades intrínsecas, enquanto que o medo da morte surge do individualismo destas mesmas propriedades.

meeu.informe.com

O HOMEM HONESTO

O homem honesto segundo Deus ou segundo os homens

1. - Caro avô, podeis dizer-me como vos encontrais no mundo dos Espíritos, dando-me quaisquer pormenores úteis ao nosso progresso?

- R. Tudo que quiseres, querida filha. Eu expio a minha descrença; porém, grande é a bondade de Deus, que atende às circunstâncias. Sofro, mas não como poderias imaginar: é o desgosto de não ter melhor aproveitado o tempo aí na Terra.

2. - Como? Pois não vivestes sempre honestamente?

- R. Sim, no juízo dos homens; mas há um abismo entre a honestidade perante os homens e a honestidade perante Deus. E uma vez que desejas instruir-te, procurarei demonstrar-te a diferença.
Aí, entre vós, é reputado honesto aquele que respeita as leis do seu país, respeito arbitrário para muitos. Honesto é aquele que não prejudica o próximo ostensivamente, embora lhe arranque muitas vezes a felicidade e a honra, visto o código penal e a opinião pública não atingirem o culpado hipócrita. Em podendo fazer gravar na pedra do túmulo um epitáfio de virtude, julgam muitos terem pago sua dívida à Humanidade! Erro! Não basta, para ser honesto perante Deus, ter respeitado as leis dos homens; é preciso antes de tudo não haver transgredido as leis divinas.
Honesto aos olhos de Deus será aquele que, possuído de abnegação e amor, consagre a existência ao bem, ao progresso dos seus semelhantes; aquele que, animado de um zelo sem limites, for ativo na vida; ativo no cumprimento dos deveres materiais, ensinando e exemplificando aos outros o amor ao trabalho; ativo nas boas ações, sem esquecer a condição de servo ao qual o Senhor pedirá contas, um dia, do emprego do seu tempo; ativo finalmente na prática do amor de Deus e do próximo.

Assim o homem honesto, perante Deus, deve evitar cuidadoso as palavras mordazes, veneno oculto sob flores, que destrói reputações e acabrunha o homem, muitas vezes cobrindo-o de ridículo.
O homem honesto, segundo Deus, deve ter sempre cerrado o coração a quaisquer germens de orgulho, de inveja, de ambição; deve ser paciente e benévolo para com os que o agredirem; deve perdoar do fundo d'alma, sem esforços e sobretudo sem ostentação, a quem quer que o ofenda; deve, enfim, praticar o preceito conciso e grandioso que se resume "no amor de Deus sobre todas as coisas e do próximo como a si mesmo".

Eis aí, querida filha, aproximadamente o que deve ser o homem honesto perante Deus.

Pois bem:
tê-lo-ia eu sido? Não.

Confesso sem corar que faltei a muitos desses deveres; que não tive a atividade necessária; que o esquecimento de Deus impeliu-me a outras faltas, as quais, por não serem passíveis às leis humanas, nem por isso deixam de ser atentatórias à lei de Deus. Compreendendo-o, muito sofri, e assim é que hoje espero mais consolado a misericórdia desse Deus de bondade, que perscruta o meu arrependimento.

Transmite, cara filha, repete tudo o que aí fica a quantos tiverem a consciência onerada, para que reparem suas faltas à força de boas obras, a fim de que a misericórdia de Deus se estenda por sobre eles.
Seus olhos paternais lhes calcularão as provações.
Sua mão potente lhes apagará as faltas.

JOSEPH BRÊ
(Falecido em 1840 e evocado em Bordéus, por sua neta, em 1862)

MALES ENCOMENDADOS

1 – Na questão 551, de O Livro dos Espíritos, Kardec pergunta:

“Pode um homem mau, com o auxílio de um mau Espírito que lhe seja dedicado, fazer mal ao seu próximo?”
A resposta é surpreendente: “Não; Deus não o permitiria.”
Não contraria os incontáveis casos de pessoas perseguidas por Espíritos que atendem à evocação maldosa de gente que pretende prejudicá-las?
Há muita fantasia em torno do assunto, envolvendo médiuns supostamente capazes de “contratar” tais Espíritos, supostamente dotados de poderes para prejudicar as vítimas. Se isso fosse tão simples estaríamos todos “fritos”, conforme a expressão popular, à mercê dessas influências.

02 – No entanto, é comum nos depararmos com pessoas assustadas que foram informadas de que estão “amarradas” por artes desses “contratos”.
É a maneira desonesta usada por gente especializada em impressionar os incautos. Há muita ingenuidade da parte dos consulentes e muita malandragem da parte dos supostos “médiuns”, amedrontando-os para mais facilmente tirar-lhes dinheiro.

3 – Não obstante, toda obsessão envolve influências espirituais. Sejam evocadas por médiuns ou tenham a iniciativa de Espíritos malfazejos, não produzem males na vítima?
Consideremos que um Espírito pode nos ocasionar embaraços, envolvendo as pessoas que nos rodeiam ou pressionando nosso psiquismo, mas só será capaz de nos molestar na intimidade da própria consciência se reagirmos de forma desajustada. Então, não é o mal que nos faça que nos afetará, mas o mal que asilarmos em reação à sua influência. Se eu conseguir manter a calma e o equilíbrio, sintonizado com o bem e a verdade, não serei atingido.

4 – Digamos que o Espírito obsidie uma mulher, induzindo- a ao adultério. Não estará fazendo mal ao seu marido?
O mal está com quem o pratica, no caso a esposa que cedeu à influência do Espírito, por guardar tendências compatíveis com o adultério. Vai responder por isso. Se o marido, revelando comportamento machista, agredi-la ou submetê-la à execração pública, então, sim, estará se envolvendo com o mal.

5 – De qualquer forma, haverá sofrimento para ele. Isso não é um mal?
Não podemos confundir com o mal o sofrimento decorrente de algum prejuízo moral ou material que nos façam. Ele está nos sentimentos negativos, no ódio, no rancor, no desejo de vingança…Se não os asilamos no coração, esse mal “periférico” nos fará crescer.

6 – Então o mal acaba se convertendo num bem?
Sem dúvida, mesmo o mal que façamos porquanto, contrariando as leis divinas, somos penalizados por nossa própria consciência que, mais cedo ou mais tarde, nos imporá sofrimentos depuradores, que nos converterão ao Bem.

7 – Por isso Jesus recomendava o perdão?
Não apenas sete vezes, mas setenta vezes sete, perdão incondicional, que tira o sofrimento maior, quando nos causam prejuízos, ajudando-nos a manter a própria integridade, sem nos deixarmos arrastar ao revide, este sim, o verdadeiro prejuízo, inspirado pelo mal em nós, quando não relevamos.

8 – Em resumo…
Nenhum Espírito nos induzirá ao mal, se cultivarmos o bem. Mesmo diante de prejuízos que nos cause, conservaremos a própria integridade, evitando os comprometimentos do desequilíbrio.
Consideremos, ainda, a questão vibratória, quando assediados por Espíritos que venham por encomenda ou por iniciativa própria:
não seremos afetados, desde que mantenhamos uma conduta reta, firma, baseada em princípios de fraternidade e respeito pelo próximo.

Atendendo à lei de sintonia psíquica, nenhum Espírito mau nos envolverá se sempre encontrar o bem a reinar em nosso coração.

Simonetti

NAMASTÊ

A palavra Namaste (pronuncia-se Namastê) é composta de duas palavras sânscritas: Nama (reverência, saudação) e Te, que significa você.

Em síntese é saúdo a você, de coração, ao que deve ser retribuído com o mesmo cumprimento.
Pelos meios esotéricos acabou ganhando o significado floreado de "O Deus que habita em mim saúda o Deus que há em você".

O gesto do Namaste, conhecido pelos budistas como Anjali mudra, consiste no simples ato de juntar as palmas das mãos ante o coração (ou mais precisamente o chakra do coração), e inclinar levemente a cabeça. Metaforicamente, os cinco dedos da mão esquerda representam os cinco sentidos de karma, enquanto os da direita representam os cinco órgãos do conhecimento.

Significa então que mente e coração devem estar em harmonia, para que nosso pensar e agir estejam de acordo com o Dharma. Também é um reconhecimento da dualidade que existe no mundo e sugere um esforço de nossa parte para trazer essas duas forças unidas em equilíbrio.

Contando os dedos, um total de dez é alcançado. O número dez é símbolo da perfeição, da unidade, em todas as tradições antigas. As dez Sephiroth na Árvore da Vida, os dez Mandamentos, o símbolo da criação no sistema de Pitágoras e o número do equilíbrio perfeito para os antigos Chineses.

A mitologia por trás deste gesto é no mínimo curiosa:
O Prof. Wagner Borges conta que o Deus Krishna escondeu as roupas de algumas garotas que se banhavam no rio Yamuna. Elas suplicaram de todas as formas a ele para devolvê-las, mas Krishna permaneceu irredutível (sacana, não?). Somente quando elas fizeram o gesto do Namaste é que ele ficou satisfeito e devolveu as roupas.

Referência: Exotic India

ALMAS GÊMEAS

"Uma alma gêmea é alguém a quem nos sentimos profundamente ligados, como se a comunicação e a comunhão que ocorrem entre nós não fossem produtos de esforços intencionais, mas de graça divina.

Este tipo de relacionamento é tão importante para a alma que muitos já disseram que não há nada mais precioso na vida."

ALMAS GÊMEAS são imagens, refletidas em um espelho de cristal, de almas colocadas em corpos físicos diferentes.

ALMA GÊMEA é aquela parcela de um eu expressa de forma completa e perfeita em outrem, por quem nos sentimos atraídos e por quem nutrimos afeto e amor incondicional e total.

ALMA GÊMEA é a melhor parte ou parcela de alguém; alguém já evoluído , um ser já refinado e apurado, melhorado, lapidado e aprimorado refletido em outro alguém com quem guarda semelhanças e similaridade de sentimentos, atitudes, posturas e elevação.

Podemos encontrar almas gêmeas em muitas formas diferentes de relacionamento - amizade, casamento, trabalho, lazer, família. É um modo raro de intimidade, mas não se limita a uma pessoa ou forma.

Quando Almas Gêmeas encarnam como par amoroso, numa figura masculina e outra feminina, sua relação é fecunda, tranqüila, serena, harmoniosa e baseada fundamentalmente no amor, na compreensão, no respeito e ajuda mútua.

Dificilmente brigam e, quando isso acontece, a razão da briga é rapidamente solucionada, existe um enorme sentimento de perdão.


Em alguma oportunidade de suas vidas passadas elas foram aquilo que podemos chamar de CHAMAS ARDENTES.

Em um dia essas mesmas almas, que hoje são chamadas ou entendidas como Almas Gêmeas, evoluirão e se tornarão ainda mais unidas, mais próximas e mais divinizadas. Então poderão ser chamadas de COMPLEMENTOS DIVINOS.

Almas Gêmeas - Reencarnação
Ligações Cármicas e Ligações Amorosas
Luanda Kaly

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

PROTETOR ou ESPÍRITO PROTETOR

É qualquer espírito que aja na GUARDA ESPIRITUAL de alguém protegendo-o(a) contra possíveis ataques do baixo-astral, em princípio.

Aprofundando-nos no tema e observando como atuam os mais diversos espíritos em condição de serem PROTETORES, veremos que costumam ser zelosos em relação a seus médiuns, ajudando-os, inclusive, em muitas causas de cunho material, muito pelo fato de ser importante para eles, que seus médiuns estejam pelo menos relativamente equilibrados, material e psiquicamente, por decorrência, para que eles possam exercer seus trabalhos em ambiente adequado - médium tranquilo, sem muitos problemas na cuca!

É de seus interesses, pelo que foi exposto acima, zelar por essa tranquilidade, já que médium cheio de problemas acaba "dando-lhes trabalho" para bem cumprirem suas missões através de todas as formas de mediunidade.

Um Espírito na qualidade de PROTETOR pode ou não ter feito pactos pré-natais, onde, como costumam falar, assumiriam a proteção do encarnado enquanto estivesse "vivo", mas não necessariamente, pois entre as várias entidades que assumem esse posto (PROTETOR) existem também aquelas que se aproximam do médium, ou por terem sido arregimentadas por sua própria coroa e de acordo com os trabalhos e objetivo a serem alcançados, ou por necessidade delas próprias em usar o médium para seus trabalhos caritativos (às vezes até não e isso vai depender do grupamento em que o médium está), desde que lhes tenha sido dado o direito de usá-lo.

A diferença entre os "pactuados" e os não "pactuados" é muito clara em seus comportamentos. Enquanto os "pactuados" lutam mais por seus médiuns e costumam acompanhá-los até o fim da vida (pelo fato de terem feito pactos pré-natais) os não pactuados o protegem até certo ponto, abandonando-os e indo procurar outros médiuns, assim que o atual desvirtuar seus caminhos ou por qualquer razão, não lhes puder mais deixar usar-lhe o corpo, como nos casos de velhice e/ou doenças impeditivas que não sejam de âmbito espiritual e que por isto não possam resolver.
Quem já não ouviu falar de fulano ou beltrano que trabalhava com o caboclo"X", o exu "Y", o bugre "Z" e que, chegando a uma certa idade, só ficou ao seu lado mesmo o caboclo "B" e/ou o Preto "J", ou até mesmo a criança "M"? Por que isso ocorre?

Porque o corpo do médium não suporta mais a energia que essas entidades movimentam ou trazem em seus corpos espirituais e, tendo eles cumprido suas missões enquanto podiam, ou vão a oló(orun)* ou vão procurar outros médiuns que lhes faculte darem seqüência aos trabalhos aos quais estão afetos. De nada lhes adiantaria ficar ali se mais nada poderiam fazer por seu médium e, como a caminhada pela evolução é longa ...

Esses acima são os PROTETORES EVENTUAIS ou TEMPORÁRIOS. Farão qualquer coisa para defenderem seus médiuns enquanto lhes forem importantes e os deixarão nas mãos dos PROTETORES DE VERDADE (os que fizeram pactos e por isso possuem elos sentimentais) para que sigam por caminhos mais amenos.

Ah, mas você está achando que isso é um absurdo? Ponha-se então você no lugar de um deles e, precisando dar continuidade a seus trabalhos de desobsessão, demandas, magias, etc., SUAS ESPECIALIDADES, pense se vai ficar ali, coladinho no "cavalo" que não suporta mais sua incorporação, principalmente sabendo que junto a ele(a) poderão ficar os "mais amenos" e "pactuados" desde antes do nascimento, amparando-o no que for possível. Pense, mas pense bem, tirando de lado o egocentrismo tão comum a nós encarnados.

Ainda sobre PROTETORES EVENTUAIS ou TEMPORÁRIOS, encontramos algumas entidades que se achegam ao médium, para trabalho, por causa da Cúpula Espiritual do Terreiro ou Centro em que ele está, ou seja, por determinação desta Cúpula Espiritual. Mas você só vai ter experiência para sentir isto se, por algum motivo e durante sua vida mediúnica, vier a trocar de Centro ou Terreiro algumas vezes. Se assim for, poderá perceber que há vezes em que "dava passagem" a algumas entidades em um lugar que, no entanto, deixaram de vir no outro, vindo outra(s) em seu(s) lugar(es). O que acontece nestes casos é que essas entidades que "ficaram pra trás" eram entidades que pertenciam à Egrégora do Terreiro anterior e, por isto, não o(a) acompanharão ao próximo. E acontece que essas "novas entidades" que se apresentarem, muito provavelmente também pertencem à Egrégora da nova casa. Simples assim!

E para aqueles que saem de um Terreiro e não vão para outro, a percepção ainda é maior no fato de que passarão a sentir à sua volta, apenas aqueles que são seus PROTETORES DE FATO E DIREITO e que não vão largá-los nesta vida a menos que lhes façam algo que os magoem por demais como no caso de tratá-los como demônios e quiserem expulsá-los.

Como já expliquei antes, em outra postagem, os Espíritos na categoria de PROTETORES, mesmo os de fato, podem, às vezes, aplicar "corretivos" a seus médiuns, sob várias formas, se eles não lhe derem ouvidos. Primeiro porque, por serem "pactuados" ( e esse pacto é mútuo), assumem direitos de quase pai ou mãe e, nesse caso, depois de avisarem e não serem ouvidos, assumem os "direitos paternos" (ou maternos) armando-lhes certos "castigos". Mas ainda aí temos que observar que, manter o médium "no prumo" lhes é importante também para que suas manifestações mediúnicas possam se fazer da melhor forma. Em síntese: às vezes precisam "domar" seus "cavalinhos" para que lhes sirvam de meio de comunicação (MÉDIUNS) positivos.

E os GUIAS?

Pois é! Espírito que tenha alcançado DE FATO esse potencial - O DE SER GUIA DE ALGUÉM - tem que ser um espírito muito mais preparado, Espiritualmente falando. Tem que ser um Espírito que tenha um conhecimento maior sobre a vida na espiritualidade, que conheça bem mais sobre os caminhos da evolução, seus objetivos e maneiras de serem alcançados e, normalmente, como também já disse antes, NÃO SÃO ESPÍRITOS AFETOS A TRABALHO PESADO mas sim doutrinários ou de encaminhamento de seu médium e de todos os que a ele tiverem acesso, por decorrência.

Não é porque EU cismo e chamo o "Zé Malandrinho das Esquinas da Uca" de GUIA que ele é um GUIA DE VERDADE (se bem que para alguns, talvez ele até possa servir de Guia). O potencial para ser um GUIA DE VERDADE o espírito ganha NA ESPIRITUALIDADE e não somos nós que lhes damos, porque se fosse assim, na visão dos neo-umbandistas, até Exu e Pomba Gira poderiam ser GUIAS.

Espíritos GUIA não deixam de ser PROTETORES, porém em um nível acima dos interesses materiais. Normalmente não castigam ou "domam" seus cavalinhos. Em casos de muitos erros e descaminhos, apenas avisam , avisam, avisam e depois se afastam deixando-os nas mãos, em princípio, de seus PROTETORES (que não são GUIAS DE FATO) e depois, havendo insistência nos erros, nas mãos de quem mais se apresentar para tomar conta, seja quem for e da maneira que for.

E porque se afastam e não tentam "domar" seus "cavalinhos" como os PROTETORES NORMAIS?

Em primeiro lugar porque respeitam o Livre-Arbítrio e partem do pressuposto de que seu filho(a) deve saber o que fazer com o seu. Neste caso, compreendem até mesmo os descaminhos como DA VONTADE PESSOAL E CONSCIENTE, talvez uma forma mais árdua de chegarem às suas próprias conclusões, de livre escolha, desde que já tenham sido alertados sobre as conseqüências.

Em segundo lugar porque espíritos que já alcançaram a verdadeira qualidade de GUIAS, por estarem em condições evolutivas superiores aos demais PROTETORES, ou não encarnam mais ou o fazem apenas por MISSÕES (e não Karmas) a eles designadas, de forma que o médium em si, para eles, não é instrumento importante ou insubstituível para que dêem encaminhamento a essas MISSÕES, tanto quando estão no Plano Astral quanto no caso de terem de vir à Terra. Pelo contrário e diferentemente do caso dos apenas PROTETORES, são os médiuns que deles dependem se pretenderem realmente seguir por caminhos e experiências evolutivas.

E os chamados "Guias de Frente"?
Não são GUIAS?

Sintetizando sem hipocrisias:
Serão GUIAS ou Guias ou guias ou "guias", em princípio apenas por terminologia aplicada e usual, mas só serão GUIAS DE FATO E DIREITO se assim se mostrarem ao longo de suas "aparições" no tempo e de acordo com o que vierem fazer ou ensinar e não apenas porque assim os chamamos ou que assim se apresentem. Eis a questão!

Aproveitando-me de uma história que já é de domínio público, no caso do senhor Zélio de Moraes vemos com clareza essa distinção de PROTETOR EVENTUAL, PROTETOR DE FATO e GUIA.
Como se sabe, a primeira entidade a chegar pela mediunidade de Zélio foi o Caboclo das Sete Encruzilhadas e após ele Pai Antonio. Somente cinco anos mais tarde houve a chegada de Orixá Malet (ou Malei, ou Malê) que veio, segundo relatos, chamado pelo Caboclo para assumir os trabalhos relativos a demandas e magias enquanto o Caboclo ficava com os trabalhos de orientação e doutrinação - os mais leves, visto por um certo ângulo. Na seqüência, e pelo envelhecimento da matéria do médium, foi também Orixá Malet o primeiro a deixar de incorporar permanecendo ao lado de Zélio, Pai Antonio e o Caboclo das Sete Encruzilhadas até que desencarnasse.

Então, pelo que já expliquei lá em cima, percebamos que PROTETORES DE FATO E DIREITO eram O Caboclo e Pai Antonio que estiveram junto desde o início até o fim. Percebamos também que pelo teor dos trabalhos, tanto do Caboclo, quanto de Pai Antonio (que era bem diversificado em sua essência), o primeiro (que agia mais doutrinariamente) seria seu GUIA DE FATO (além de PROTETOR DE FATO) e o segundo seu PROTETOR DE FATO, enquanto Orixá Malet (e isto sem querer tirar uma vírgula da importância de sua vinda e de seus trabalhos) foi um PROTETOR EVENTUAL ou TEMPORÁRIO, partindo, não sei se por fim da missão com Zélio ou de sua própria missão, assim que o médium já não se sentia tão à vontade com a energia dele como entidade espiritual, por conta da idade avançada.

Esse é apenas um exemplo do que escrevi acima, mas você que chega até aqui, pode muito bem já ter observado isto, ouvido sobre fatos semelhantes ocorridos com outros médiuns ou até mesmo, quem sabe, estar percebendo consigo.

Claudio Zeus

OGÃS E EKÉDIS

Uma casa de santo, seja de Umbanda ou Candomblé, além dos filhos de santo, tem outros participantes que dão suporte aos trabalhos, além de serem considerados, em alguns casos, autoridades na casa.

Tais elementos são os Ogãs e Ekédis. A principal características desses filhos, é a falta da capacidade de manifestarem o Orixá ou a Entidade Espiritual. Não são rodantes, como se diz normalmente sobre os filhos de santo que têm a capacidade de receberem a entidade, ou seja, de manifestarem através da matéria a personificação do espírito.

Ekéjì (em iorubá) e Ogán são na realidade "Ekéjì Òrìsà" (a segunda pessoa para o Òrisà). No caso, a primeira pessoa do Òrìsà é o babalorixá ou iyalorixá. Ekéjì é um cargo que se divide em algumas categorias e seus atributos (dependendo da categoria) sâo cozinhar para a casa de culto, puxar cânticos sagrados da casa, auxiliar o babalorixá ou iyalorixá, costurar e vestir os Órisà, preparar a pintura dos ìyàwó, etc. Algumas destas tarefas podem ser realizadas também por ìyawó, mas o mais comum é as ekéjí fazerem.

Os Ogãs, mesmo os de Umbanda, normalmente não incorporam, embora possa o mesmo ocorrer em alguns casos. Neste caso, não se trata de um Ogã propriamente dito, e sim de médiuns, que podem ser filhos ou não da casa, que estariam momentaneamente ajudando na festa ou sessão, tocando o atabaque. De qualquer forma, é um problema, pois o atabaque é o elemento que faz a chamada da Entidade, e se no meio do toque, o Ogã ao invés de manter a vibração do toque, manifesta-se com ela, poderá criar uma quebra de concentração e conseqüentemente uma quebra fluídica. Seguramente isso ocasionará transtornos em médiuns mais novos como nos mais velhos também.
Embora não incorporem, com freqüência possuem outras mediunidades, como intuição, visão ou Audição.

Em algumas casas de Umbanda costuma-se dar à pessoas de bom nível social ou amigos que se apresentam para o trabalho e ajuda da casa, títulos de Ogãs. Estes entretanto, que na verdade não participam da vida ativa do centro e comparecem eventualmente às sessões comuns e muito ativamente nas festas, são uma categoria especial e recebem funções específicas, tais como; fiscais da freqüência, servirem bebidas e comidas aos convidados e procurar manter a normalidade dos trabalhos, impedindo o acesso de elementos negativos que possam criar algum problema.

O Ogã e a Ekédi, são funções ou capacitações de indivíduos nas diversas nações de Candomblé. Nas diversas nações afro-descendentes recebem nomes específicos. Trataremo-os aqui como Ogã e Ekédi, levando em consideração serem esses os termos mais conhecidos por iniciados ou neófitos. Os Ogãs e Ekédis não são apenas iniciantes a espera da manifestação dos Orixás, ou pessoas que possam ajudar de alguma forma a casa. No Candomblé, Ogã e Ekédi, são cargos que já vêm determinados às pessoas.

O Ogã e a Ekédi, primeiramente são suspensos pelo Orixá e futuramente confirmados em iniciação particular, diferente em alguns aspectos, da iniciação dos demais Filhos de Santo. Possuem poderes específicos dentro dos barracões, pois são autoridades especiais, sendo considerados pais e mães por natureza.

A eles são atribuídos os atabaques, os sacrifícios animais, a guarda de elementos espirituais do culto, colheita de ervas, responsabilidade pela cozinha do santo, auxílio imediato ao Babalorixá/Yalorixá nos Ebós e obrigações dadas nos filhos. São Mães e Pais Pequenos, Mães Criadeiras, verdadeiras mães e pais a quem os filhos devem respeito e carinho.

É importante lembrar que guardada as proporções de cada uma das funções, tantos uns como outros, são importantíssimas em suas funções e seria muito difícil, quiçá impossível, vários objetivos do culto serem alcançados sem suas presenças.

Respeitem e tratem muito bem, com carinho, amor e devoção aos seus Ogãs, Ekédis, Mães e Pais Pequenos, são eles que de alguma forma, fazem com que o caminho a ser trilhado, por todos, dentro da religião, seja menos penoso, mais alegre e muito mais feliz.

Ogã
Médium do sexo masculino que não incorpora Orixá. Apesar de sua principal função ser a de auxiliar a manter o terreiro em ordem, fazendo pequenos consertos, a pintura, auxiliando nas despesas, fazendo serviços que exige força física e pelar os animais de quatro pés sacrificados, há vários Ogãs com diferentes funções num terreiro.

Ogã Calofé
É o responsável por toda a corimba à ser puxada no terreiro, é também instrutor de toques de atabaque. Só existe UM Ogã Calofé em cada terreiro.

Ogã AlabêOgãs que tocam atabaques, também chamados de “Ogã de couro”, subordinados ao Ogã Calofé.

Ogã-de-Corimba ou Ogã-de-Canto
Médium preparado, exclusivamente para a puxada da Corimba (Pontos Cantados), respondendo diretamente ao Ogã Calofé, à Mãe Pequena, ou em última instância, ao Chefe do Terreiro.

Pejigã
Ogã responsável pêlos cuidados com o orixá do peji (quarto de santo). É ele quem verifica, juntamente com a iakekerê, se tudo está em ordem no peji.

Axogun, Ogã-de-Faca ou Mão-de-Faca
Ogã responsável pelo sacrifício dos animais aos orixás, preparado especialmente para efetuar toda e qualquer matança de animais, (muito usado em Nação). Existem Axoguns que só podem sacrificar animais de 2 patas.

Olossain ou Mão-de-Ofá
Ogã responsável por encontrar nos matos as folhas necessárias para os rituais e Pelo culto de Ossaim no terreiro. Preparado especialmente para fazer a Colheita e a quinagem(maceração) das ervas usadas na Umbanda, para Amacís, assim como para remédios e banhos de descarga.

Ekede
Mulher que tem como função: auxiliar o orixá, dançar com ele, vesti-lo, enxugar seu suor durante a dança (por isso que trazem sempre uma toalha no ombro), etc. Geralmente é escolhida pelo próprio orixá incorporado. Tem como característica mediúnica o dom de favorecer a incorporação nos médiuns, sendo de extrema importância no desenvolvimento e na chamada dos guias na sessão. Também auxilia na organização da sessão durante a mesma.

Iatebexê
Ekede responsável pelos cânticos e reza dos orixás.

Dagã, Sidagã, Adagan ou Cambono-de-Ebó
Responsáveis pelos culto de Exu, especialmente pelo padê.
Subordinado diretamente à Mãe de Santo, sendo o único responsável, por todas as entregas negativas do Terreiro.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

DESCARREGO COM PÓLVORA

Toda a magia usada como ritual para afastar o “Mal”, é bem-vindo.

Os descarrego de pólvora, e muito usado na “Umbanda” e nas Linhagens de “Nagò e Bantos”, possuindo poderosa e grande força benéfica, desde uma vez, que a pessoa saiba utilizá-la!

Todo o descarrego com pólvora, deve sempre ser feito sob a orientação de um dirigente experimentado e mentores espirituais, e sempre a partir do “pôr do sol” e se estendendo até às 23.30 horas.

Só podemos realizar o descarrego com pólvora em residência ou estabelecimentos comerciais, quando autorizado pelos “Guias” ou “Òrìsàs”, e quando houver necessidade. Caso for realizado, devemos abrir todas as aberturas do local e deixar escorrer nas torneiras um fio de água, no local.Após, ter desaparecido a fumaça, devemos borrifar ou jogar perfume com açúcar em todas as peças do local.

Para elucidar, embora, de um modo geral, a utilização a todo instante, sem que haja necessidade, tal seja realizado como de fato o deveria, a pólvora queimada para diversas finalidades. Em outras maneiras, muitos são os “serviços” que são realizados com o uso da pólvora, porém, de uma maneira geral, o que se faz está por demais longe do correto e do direito e, justo por isso, se vê de vez enquanto alguém ser “atingido”pelo fogo da pólvora, ou seja, em outras palavras, pelo “retorno”da pólvora (fundanga).

Tenho toda a certeza, é um dos trabalhos mais poderoso para se combater aos espíritos (entidades) maléficas, ou seja, exus kiúmbas, egúns e ará òrún. Que nos cercam, e se fixam em nossa “nuca”, nos dominando e perturbando nossa vida profissional e familiar, fazendo-nos cometer certos atos de loucuras, porque não dizer, até com desvios de personalidade.

A explosão e o fogo da pólvora (fundanga) provoca um grande poder mágico, como também as combinações de cores das velas, para expulsar o “Mal” de pessoas, de locais ( residências ou local de trabalho profissionais), levando-os para o espaço, por isso, realizamos em pessoas ao ar livre!

Devido, há muitos anos na prática da religião e no exorcismo de entidades do “Mal”, devo dar uma das maneiras da utilização da pólvora para o “Bem”, ou seja, para afastar as entidades maléficas. Devo alertar que todos os trabalhos com pólvora, requerem cuidados especiais, pois quando queima, pode causar ou ocorrer acidentes ou desastres, tenha muito cuidado em lidar com a pólvora!

É de bom alvitre, termos sempre por perto um auxiliar, quando iremos trabalhar com pólvora , porque ela é danada e as próprias entidades do “Mal” evitam à sua realização, tenha cuidado! Use sua energia e pensamento positivo!

A pólvora é usada como um acelerador de partículas. Através da liberação de gases, acontece o movimento frenético das moléculas de água que compõem o nosso campo magnético, campo esse denominado de aura, energia resultante da queima das células de todo o corpo dirigido pelo cérebro, centro de comando do espírito, energia sutil apenas detectada em fotolitos.

A pólvora em queima, libera seus elementos sutis que interage neste campo liberando o vampirizado do cordão fluídico denso e negativo.
Com o movimento frenético das moléculas dá-se o rompimento do mesmo liberando ambos os espíritos para o devido tratamento, acontecendo de forma idêntica com as larvas astrais que como ‘’carrapatos’’ do espírito se desgrudam e se desintegram na corrente elétrica provocada pela queima da pólvora.

Nenhum espírito é queimado pela pólvora. A sensação do mesmo na hora da queima é de um choque elétrico provocando na maioria das vezes um desmaio temporário ou um torpor dos sentidos.

A pólvora é um elemento material utilizado para vibracionar o campo das energias sutis do corpo, assim como a água fluidificada é carregada de energia para que atue nas células do corpo físico e também igualmente como o passe magnético potencializador dos elétrons que pulam das mãos do médium para o corpo do receptor agindo nas células do corpo físico.

Guardião de Ogum

BOLAR NO SANTO

Por que as pessoas "Bolam no Orisá"?

Tendo o mesmo sintoma de um desmaio, o indivíduo surpeende-se ao sentir uma sensação estranha e cai ao chão totalmente inconciente ou, conciente porém, sem posse dos movimentos do corpo.Este processo pode ocorrer mesmo que a pessoa nunca tenha ido a uma casa de candomblé e não conheça absolutamente nada sobre os Orisás.

Independe do credo ou religião da pessoa.Em casos não tão comuns, o processo de bolar, pode acontecer dentro da própria casa do indivíduo. Em principio, as pessoas acreditam ser algum problema de saúde e após passarem em consultas por médicos e realizarem exames, não acham a causa do repentino desmaio, que continua ocorrer.

Aos olhos dos leigos este processo pode parecer bastante assustador. Mais na realidade nada se tem a temer.

O ato de bolar, sugere um despreparo do organismo para receber uma energia cujo o corpo não esta acostumado. Ao receber tal energia, o corpo simplesmente reage, assim como, as pessoas tendem a dar um pulo quando levam um choque elétrico.Sem sombra de dúvidas o "bolar no santo" é a materialização do orixá e indica que a pessoa deve ser iniciada dentro do culto.

Mesmo os que não acreditam em Orisá, ao passarem por este processo ou conhecendo alguém que passou por ele, passa a refletir melhor sobre seus conceitos de crença.

Asé O!

Babalorisá Robson Tí Odé (Babalorisá Adjauwè).

sábado, 1 de agosto de 2009

ENERGIAS NEGATIVAS

"As energias negativas podem afetar o corpo, a mente, as emoções, dando origem a vários problemas para a sua saúde."

Aprenda a lidar com essas vibrações e encontre o caminho do equilíbrio!

Você já entrou em um determinado local e logo sentiu um mal-estar, um peso no corpo, ou uma dor de cabeça?

Se você respondeu sim, é sinal de que esteve num lugar impregnado de energias negativas. Essas energias podem ter diversas origens: correntes de água suja que passam sob o local, como esgotos, poços sujos, rios poluídos, túmulos subterrâneos, jazidas de minério (especialmente o mercúrio), objetos de magia negra enterrados sob a construção, ou mesmo vibrações decorrentes de desentendimentos entre as pessoas que ocorrem no dia-a-dia e que vivem ou freqüentam esse ambiente.

Mas, independente de sua origem, as energias negativas prejudicam a saúde e abalam o estado emocional das pessoas que moram ou estão num local afetado por elas.
Para evitar que você se torne vítima das energias negativas, aqui vão algumas boas dicas, simples e fáceis de serem aplicadas, que poderão ajudá-lo a manter, por exemplo, sua residência ou local de trabalho, sempre em alto astral.

Para neutralizar as energias negativas de uma residência, você poderá utilizar diversas armas.

A primeira delas é, simplesmente, mudar a disposição dos móveis da casa.
Mude-os conforme a sua intuição.
Certas plantas também ajudam a afastar as más vibrações. Mantenha vasos com espada-de-São-Jorge, guiné e/ou arruda, bambu-mossô, na entrada de sua casa.
Vasinhos com alecrim, salsinha, louro, manjericão e pimenta, também podem ser dispostos nas janelas da sala, ou da cozinha.
Incensos, cristais, fontes, e símbolos sagrados também podem ser colocados conforme a sua intuição nos cômodos de sua casa.
Os incensos podem ser de vareta ou do tipo usado em defumadores. No primeiro caso, acenda em cada cômodo um número de varetas igual ao de moradores da casa.

Por exemplo:
se na casa moram três pessoas, acenda três incensos em cada cômodo, inclusive nos banheiros.
Dê preferência aos aromas de canela, sândalo, mirra e/ou rosa musgosa, que são próprios para limpeza de ambientes.

Se for usar o defumador, compre o de limpeza espiritual e passe-o em todos os cômodos, principalmente nos cantos de sua casa, ou lugares em que a energia possa se estagnar, como vãos de escada. Quando for passar o defumador, vá acendendo as luzes de toda a casa e abrindo as janelas, até que acabe.

Você também pode fazer um defumador caseiro usando cascas de alho, folhas secas de arruda e jasmim, com lascas de canela. Acenda igualmente e passe por toda a casa, da mesma maneira.

Repita esse processo com qualquer dos incenso, pelo menos uma vez por semana.

Agora, falando sobre cristais, a turmalina negra funciona como catalisadora de enrgias negativas. Isto significa que ela atrai para si qualquer energia nociva, limpando o ambiente e impedindo que a carga de negatividade atinja as pessoas.

Ter essa pedra perto do corpo representa uma boa opção para quem quer combater as energias negativas do local de trabalho de maneira discreta.

Você pode usá-la em um anel, pendente, pulseira e/ou somente a pedra, de preferência encostada a seu corpo, por baixo das roupas.

Antes de usar a turmalina negra pela primeira vez, mergulhe-a numa vasilha de vidro com água e um pouquinho de sal grosso, deixando por 24 horas (mesmo que ela esteja montada em um anel ou outra jóia). Passado esse tempo, jogue fora a água com sal e deixe a pedra ao ar livre por mais 24 horas. Depois, pode usá-la. Repita esse processo de limpeza e energização, pelo menos uma vez por mês, de modo que a proteção da pedra se conserve sempre eficaz.

Falando agora nas formas sagradas e objetos poderosos, temos o símbolo do mantra OM - o som sagrado que representa a essência divina. É um poderoso talismã, capaz de neutralizar as energias negativas dos ambientes e de atrair vibrações positivas.

Basta colocá-lo na parede, pois sua forma é sagrada e tem ação transformadora, sendo capaz de fazer a energia negativa de um lugar se transmutar em positiva.

Falando agora de outro símbolo sagrado, temos a pirâmide, que é dotada de uma forma geométrica perfeita.
Coloque-a conforme sua intuição onde você acha que há energias negativas no ambiente. Ela irá atuar como um filtro, impedindo que as más vibrações cheguem até as pessoas.

Ter um bichinho de estimação, especialmente um gato, ajuda a neutralizar as influências negativas, sem causar dano algum ao animal.

Evite proferir xingamentos, maldições, falar palavras negativas, ou ter explosões de raiva. Tudo o que dizemos tem uma força muito grande e nos coloca em sintonia com diversos níveis de energia.

Não realize rituais de invocação de espíritos se não tiver preparo para conduzir esse tipo de trabalho. Não tenha símbolos duvidosos ou maléficos como enfeite em sua casa.

Ao adquirir objetos usados (antigüidades, roupas, acessórios de brechós), se possível, lave a peça com sal grosso e faça um defumador com incenso de mirra.
Caso seja um móvel, passe um pano virgem (como um perfex novo) molhado na água de sal grosso e depois defume igualmente. Em seguida, abençoe as roupas ou objetos, dizendo que de agora em diante eles farão parte de seus objetos e vibrarão na sintonia de sua casa e de sua vida.

Embora às vezes, você possa se sentir frágil e inseguro para as novas situações que a vida apresenta dia a dia, procure jamais ter receios.

Encontre audácia e coragem dentro de você para vencer todos os obstáculos que surgirem.
Tenha fé!
Acredite em você!
As mudanças sempre estarão por vir e exigirão de você atitudes corretas e concretas.

Texto baseado em ensinamentos do Povo Cigano
Cristina Portes